Dorzinha

Tinha aquela dose de pressentimento, percebe? Aquela coisa do fundo da alma que cotuca. E cotuca…Aquela consonância de coisas não ditas, que já deixaram de magoar há tempos e que ofuscam tanto o sentimento. Uma coisa infantilizada, até, um soar profundo e preso, enclausurado. Sabe? Sabe do medo de perder o sentimento? Conhece aquele medo de deixar de ser sentimental? E partir dessa para onde, para a onda, para a vida. E, principalmente, para o que não se conhece. Entende quando as lágrimas alheias vão e voltam dentro da gente, quando o fluxo carrega e descarrega e quando se pára para pensar? Que de tantos fatos escreveria três vezes, mas que de tão relacionados se escreve uma. Nota. Nota e percebe e sente que a prole do que vem depois acabou, e então o que virá? A prole acabou. Acabou a renca de dor, a raiz de dor. E porque a raiz da dor se doa para a de felicidade, e raios de felicidade se voltam para a dor? Falo da dorzinha de aurora, a dorzinha escondida, ê dorzinha complicada e triste e viva e dolorida. E duvidosa. Aprende-se aos poucos que cada dor é dor, e que o outro de fato a sente. Ainda que seja a dorzinha do fundo do espírito. E vê se compreende, que até dor de amor é dorzinha. Que se perde quando se esgota, mas, sobretudo, se faz perder. Que a decisão é dura feito pedra e diamante incrustado, e que incrusta na pele e se faz valer. Ou não. Pensando bem, olhando profundamente ao dentro. Observe e vide e veja. E ouça o barulhar do fora, os barulhos das madrugadas, tão bonitos para serem ditos morcegos e grilos e cigarras. Mais bonito seriam morceguinhos, grilinhos e cigarrinhas. A noite se impõe negra, mas é clara. Não tão clara como a dorzinha verde que assola o ladinho, o cantinho, o coração. Coraçãozão, de papel, de viés, de júri. Tema todas as responsabilidades, entretanto, saiba que não são todas suas. Afinal, o mundo todo, por vezes tolo, não é responsabilidade de ninguém, mas é responsabilidade de todos. Perder um pouco da responsabilidade sobre si, e deixar de pensar. O mundo exige dos quais se doam em sentimento e pede compaixão, e quando se dá compaixão e sentimento pede toda a seriedade. As pessoas pedem seriedade. E a amnésia assola toda a terra. Uma amnésia sentimental generalizada assola a terra. Há uma epidemia que quebrou todos os laços e promessas de vida. Dorzinha verde, apaziguar-se-irá. Desejo a você todos os votos de paz. E vá. Amasse, faça doer, mas vá. E quando for, deixa só a noite no fundo. Escura, mas clara. Para iluminar todas as vidas sob sua proteção.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s