Pra você guardei o amor

Acho que de todas as palavras que possivelmente poderia repetir por aqui, nesse estilo nada óbvio de ser, nessa bola de neve que nem eu consigo explicar, nessa minha vida vestida de carrossel, colocada a girar sem pausa, você. Afinal, eu acho que toda vida é assim, não é? Voltando a isso, diria, amigo, que fui inspirada por fatos e acontecimentos específicos. Por ocasiões específicas. Pelo meu dramatismo. E eu sei que você realmente acha isso de mim. Dramática? Intensa? Você, mais do que ninguém sabe. Você, você, você. Você é a melhor palavra, nesse caso. Você foi meu primeiro amigo. Você é meu melhor amigo. Você é meu irmão. Meu professor. Meu advogado. Você com esse seu jeito espontâneo de ser você, de racionalizar até para rir, de fazer cálculos até para subir as escadas. De sentar em um degrau e dizer com graça que eu estou errada, que eu estou certa. Por Deus, estou. Sempre tão dramática, não é? Sempre vendo tudo errado, mostrando tudo de errado, lamentando as coisas erradas. Mas vim aqui com fins diversos, falar do que é nosso, do que é meu e do que é seu. É seu esse sorriso cínico. Seu é esse seu olho tão típico. Suas são suas pintas do rosto, seu topete metido, e a parte do seu cabelo que eu sempre arranco. O cocó. Sua poodle. Seu jeito irônico e sincero de lidar comigo. Sua racionalidade irracional. É seu o otimismo, o campeão, o atual pessimismo. É do ser humano a vida em ciclos. E não dizem que é em ciclo mesmo? E não falam que o que é para ser nosso, volta? Há de voltar então. Ou não, não me interessa. É meu o amor, a amizade, o sentimento excessivo. Essa intensidade. Que por toda sou e serei intensa, e isso não é um problema. A questão é, você é o único que sempre está disposto a aguentar essa overdose de intensidade. É seu ver com a cabeça. É meu ver com o coração. É nossa a preocupação. É nossa amizade. É a nossa amizade. É nossa a história. A ajuda. O abraço. O carinho. É marca sua em mim um anel, uma pulseira, um fio de cabelo na agenda. É meu em você esse texto. Acho. Se você o considerar. É hora agora de fazermos um divórcio, para nos reaprendermos. Porque, como sempre, estamos passando a mesma fase, combinando os mesmos fins, com as mesmas crenças, otimismos e pessimismos. Nossas fases estão tão mascaradas que nem ao menos se assemelham, mas você se dá conta? Que não é você e que eu preciso de você? Que não é você, mas eu quero o você? Se dá conta de quem é você? Que odeia maionese e não gosta de peixe? Que promete verdadeiramente e cumpre a palavra até o fim? Os vestígios me mostram a tanto tempo e todo tempo. Você, você, você. Mudou, né? Mudou sim. E não sei o que pensar. Do nosso divórcio, inevitável divórcio me sobra o nosso. E o que é nosso? Nossa preocupação, nossa ajuda, nossa amizade, nossa irmandade. Você, para sempre, é meu. Meu, meu, meu. Meu irmão, meu amigo, minha energia possessiva. Para você, eu guardei o amor. Não o gostar. Não, agora, o gostar. Por no fundo saber quem você é, eu amo. Por não te ter por agora, não te gosto. E como o gostar é ciclo, o carrossel está todo armado e enfeitado para o momento em que chegar. Porque o que é nosso, volta, amigo. Amigo meu, meu irmão, voltará, sempre, sempre, sempre. Meu, meu, meu. Só não esquece, tá? A dor que gerou em mim foi tanta. Tanta, tanta. Então, não esquece.

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