Primeiro amor dos amores

Vou eu me meter a falar do amor. A verdade é que muito demorei para me dar conta de alguma coisa sobre isso. Ou posso dizer que, até mesmo, para me dar conta disso. Essa história de amor começa com pai e mãe. A filha era autista? Será? Pois te dou um cenário. A escolinha, as mesinhas coloridas. A favorita já não me lembro, mas havia de ser a verde. Não, com certeza era a verde. Sabe-se lá porque, a rosa não a agradava como à maior parte das meninas. E os brinquedos do parque de asfalto, que depois passou a ser de areia, depois que ela mesma caiu e se machucou e cortou e ralou, também não tinham graça, como tinham a todas, para as outras todas crianças. A graça era a mesa verde-musgo. A mesinha desbotada, dos banquinhos duros. Falar, não falava. Conversar com a professora? Não, não. Se colocava a escrever poesias e, sem hesitar, as entregava para a Mister. Durante todo o recreio. A criança era normal? A mãe se preocupava. A mãe hesitava, observava, e acreditava profundamente que estava tudo sob o mais denso controle. Conversava. Mas de tudo, não sabia ela que a criança sofria.Não fazia ideia. Sofria de amor, já naquela época. Aquela altura. Altura alta. Pois o charme daquela planta, que depois remetia ao Natal…o frio daqueles tempos, em que a mãe a enchia de casacos e ela corria do vento… A ansiedade de correr atrás do tempo. Nada os separou. E aí, até hoje, meu primeiro amor. Que me deixa ansiosa a vê-lo, me proporciona um acolher eterno, uma brecha no infinito, uma beleza fotográfica, uma paixão louca, um agarrar intenso e um complementar indefinível, indescritível, impropagável e insubstituível. Para aqueles os quais crêem, fidedignamente, que eu tenho um porquinho-da-índia, nego. Pois desde cedo, de sua alfabetização impecável, escolheu sua melhor forma de se comunicar: escreveria. E decisivamente, escolheu seu amar. Pior, lhe jurando amor eterno. Melhor, lhe sendo fiel por toda vida. Sem pareceres positivos e negativos, já que aqui só me cabe contar a breve história, se deu o flerte com o Português. A menina e a Língua Portuguesa. O caso do incesto Brasileiro. Em berço esplêndido. Só me resta dizer que, dessa união, resta felicidade e auto-conhecimento. De um, ou de outro, por vezes se bastam. E talvez, isso baste.

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2 Comentários

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2 Respostas para “Primeiro amor dos amores

  1. Marco Rapeli

    Mister, Melhor, Millor, Malu… Já conhecia a história… Mas esse texto é sinestésico. Ler ele tem gosto cheiro e cor. Pierrot.

  2. Mari

    Oh minha linda princesinha,que desde pequena ficava no recreio escrevendo e a professora me chamou no colégio,muito preocupada!!
    Achava que não era normal para a idade e nem sabia que estava nascendo
    uma linda escritora!!Te amo muito!!!

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