Arquivo do mês: junho 2012

Teatro

“O que a vida ensina, só realidade e não visão pessimista: Eles não estão ali para você. Eles não querem que você ligue, falam isso por educação. Quando dizem que gostam de ficar sozinhos e por isso não ligaram, é mentira. Eles não vão na sua casa te tirar da cama porque não querem, e não porque não presumiram isso. Você vai estar sozinho. Sozinho mesmo. Ninguém vai entender, só você. Sim, eles dão preferência para a diversão. Não, não faz diferença alguma o seu problema na vida deles. Se fizer, eles vão fugir do seu problema, já que não tem cabimento algum ficar mal pelo problema dos outros. Quando você está se divertindo com eles, você vai ter a ilusão de que eles são seus amigos. Você vai se convencer disso, e não há quem prove o contrário. Se você está se sentindo mal, vão te fazer se sentir pior. Sua vida pode estar cheia de problemas, mas vão te chamar de dramático. Eles vão falar que são seus amigos, quando você fizer algo de bom, mas nunca vão contar que não estiveram ao seu lado quando você precisou. A realidade é que você vai estar do lado deles, de todo modo. Você vai estar do lado de todos. E depois que tudo isso passar, de você ouvir todos os problemas deles, tendo muitos problemas bem piores; Depois de você não conseguir falar dos seus próprios problemas nem por um minuto; Depois de lutar sozinho e perceber que a vida te fez forte…você vai continuar sendo amigo deles. Só vai notar que eles não são seus amigos. A diferença sutil entre o singular e o plural: sujeito. Porque os fortes são assim…Eles não se esquecem o quanto foi ruim enquanto foram fracos. Quem tem na vida um forte, se inspira. Mas todo forte viveu rodeado de fracos. Não há de se dizer o que é bom ou ruim. Não é vergonha ser fraco. É só uma opção que a vida dá para aqueles que não fazem a diferença. Toda história precisa mesmo de coadjuvantes. É todo nosso o direito, mas, principalmente,  a escolha,  de tornarmo-nos protagonistas.”    Lucha Mandat

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A verdade sobre a verdade

Os desencorajados me desencorajam. Os encorajados, também. Tudo por essa minha necessidade de ser por inteiro, e, do inteiro da minha vida, ser eu. Tudo por não me dar conta, ou dar conta até demais, de todas as dimensões que posso atingir. Sabe, hoje em dia já não me poupo das palavras, e já não uso tanto de eufemismos. Falo o que deve ser dito, ainda que soe dolorido. E porque não? A verdade dói tanto. Parece um clichê e tanto dizer isso, e ainda que seja, é a mais pura verdade. Engraçado é que, a verdade, é que dói falar a verdade. É que dói ouvir a verdade. É só que precisa mesmo ser gente grande para isso. E pode parar com essa mania de agigantar as pessoas. Essa de gente grande não há de existir. Chegaremos aos oitenta anos da vida ainda sendo pequenos. E, Graças a Deus por isso. Lamentando nossas disfunções e lamentando não sermos crianças. Pois o que haveria de ser da vida, responda-me, se pessoas em seus oitenta tivesse o físico dos seus doze? O mundo estaria, na certa, destruído por aquele sentimento negativo que a gente sabe. E eu nem preciso dizer, porque a gente sabe. Agora venha me dar informações sobre os gigantismos da alma. Pois aí, eu estou pronta a crer que existem crianças gente grande, adultos gente grande, velhos gente grande. E o oposto, não hei de comentar. E se me deixo levar naquele jorro de sentimento típico, de avançar no outro como um instinto animalesco, desmascarando para ele a verdade…Bem, quem há de me julgar? Pela minha humanidade e animalidade? O que há de dizer por ser animal? Por atacar com arma fidedigna? Se eu contasse o quanto me criticam por ainda falar que quero ser tal ou qual coisa quando crescer. E não quero, mesmo? Quero. Cresço o dia inteiro, no sol e na lua, o dia inteirinho. Labuta intensa, dá trabalho, quebra a cara e dói o bum-bum. Engraçado que a verdade é, de jeito nenhum, arma covarde. Pense em sua sinceridade. As cartas são dadas na mesa. Elas estão ali. Dadas. Agora, posso dizer que é diferente o modo de se dizer. O modo de se colocar. A forma como se fala, a depender de quem se fala. O tom da voz. E digam, a todo momento, que são bandos de eufemismos, não ligo. Não o são. Para o bom entendedor, a verdade está ali, e para o outro…também. A verdade é que todas as dimensões são poucas para o tanto a que somos capazes de estender nossas almas, diante do esforço de ser gente. A verdade é que a verdadeira extensão passa de ser gente e reconhece, viu? Reconhece. Fala em alto e bom tom que ser animal faz parte, sim. Se força ali, naquela ocasião, a olhar no olho e interpretar o instinto alheio. Faz força, a la Valsalva, e é irresistível: quando vê, está ali, na ponta da língua, sem poder ser engolida mais uma vez. E no impulso do calado, extravasa como o não dito, até a ficha cair. É, falei mesmo. Falei. Só falta agora abastar os cantos mal recortados de uma alma ainda sem pontas. Mas ainda há de cria-las, duras e secas. Ou não, no momento, só não me faz diferença. Antes gélidas, eu diria. Não quero ser gente grande. Não quero ser desestimulada. É melhor gélida. Ainda pode derreter. Pode, sim. Da verdade, dou um conselho: a dê como um presente a si mesmo. Esse vale para todas as pessoas. A verdade, em suas formas de amores, é, afinal, o auge da zoomorfização que não é nossa, e do antropológico que nos apossamos daquele jeito tão gostoso de ser. É o amor desmembrado e recuperado, é a súplica e a gratidão. O borderline do homem animal. É por fim minha, e toda nossa.

Com amor,

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