A verdade sobre a verdade

Os desencorajados me desencorajam. Os encorajados, também. Tudo por essa minha necessidade de ser por inteiro, e, do inteiro da minha vida, ser eu. Tudo por não me dar conta, ou dar conta até demais, de todas as dimensões que posso atingir. Sabe, hoje em dia já não me poupo das palavras, e já não uso tanto de eufemismos. Falo o que deve ser dito, ainda que soe dolorido. E porque não? A verdade dói tanto. Parece um clichê e tanto dizer isso, e ainda que seja, é a mais pura verdade. Engraçado é que, a verdade, é que dói falar a verdade. É que dói ouvir a verdade. É só que precisa mesmo ser gente grande para isso. E pode parar com essa mania de agigantar as pessoas. Essa de gente grande não há de existir. Chegaremos aos oitenta anos da vida ainda sendo pequenos. E, Graças a Deus por isso. Lamentando nossas disfunções e lamentando não sermos crianças. Pois o que haveria de ser da vida, responda-me, se pessoas em seus oitenta tivesse o físico dos seus doze? O mundo estaria, na certa, destruído por aquele sentimento negativo que a gente sabe. E eu nem preciso dizer, porque a gente sabe. Agora venha me dar informações sobre os gigantismos da alma. Pois aí, eu estou pronta a crer que existem crianças gente grande, adultos gente grande, velhos gente grande. E o oposto, não hei de comentar. E se me deixo levar naquele jorro de sentimento típico, de avançar no outro como um instinto animalesco, desmascarando para ele a verdade…Bem, quem há de me julgar? Pela minha humanidade e animalidade? O que há de dizer por ser animal? Por atacar com arma fidedigna? Se eu contasse o quanto me criticam por ainda falar que quero ser tal ou qual coisa quando crescer. E não quero, mesmo? Quero. Cresço o dia inteiro, no sol e na lua, o dia inteirinho. Labuta intensa, dá trabalho, quebra a cara e dói o bum-bum. Engraçado que a verdade é, de jeito nenhum, arma covarde. Pense em sua sinceridade. As cartas são dadas na mesa. Elas estão ali. Dadas. Agora, posso dizer que é diferente o modo de se dizer. O modo de se colocar. A forma como se fala, a depender de quem se fala. O tom da voz. E digam, a todo momento, que são bandos de eufemismos, não ligo. Não o são. Para o bom entendedor, a verdade está ali, e para o outro…também. A verdade é que todas as dimensões são poucas para o tanto a que somos capazes de estender nossas almas, diante do esforço de ser gente. A verdade é que a verdadeira extensão passa de ser gente e reconhece, viu? Reconhece. Fala em alto e bom tom que ser animal faz parte, sim. Se força ali, naquela ocasião, a olhar no olho e interpretar o instinto alheio. Faz força, a la Valsalva, e é irresistível: quando vê, está ali, na ponta da língua, sem poder ser engolida mais uma vez. E no impulso do calado, extravasa como o não dito, até a ficha cair. É, falei mesmo. Falei. Só falta agora abastar os cantos mal recortados de uma alma ainda sem pontas. Mas ainda há de cria-las, duras e secas. Ou não, no momento, só não me faz diferença. Antes gélidas, eu diria. Não quero ser gente grande. Não quero ser desestimulada. É melhor gélida. Ainda pode derreter. Pode, sim. Da verdade, dou um conselho: a dê como um presente a si mesmo. Esse vale para todas as pessoas. A verdade, em suas formas de amores, é, afinal, o auge da zoomorfização que não é nossa, e do antropológico que nos apossamos daquele jeito tão gostoso de ser. É o amor desmembrado e recuperado, é a súplica e a gratidão. O borderline do homem animal. É por fim minha, e toda nossa.

Com amor,

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