Ciranda de amor

Acho que já passamos todos daquela fase em que acreditamos nos porquês subentendidos de certos relacionamentos não funcionarem da maneira que todos gostariam. Afinal, eles eram perfeitos um para o outro. Eles eram um casal tão lindo. Mas ela gostava dos contos de fada e esperava dele um príncipe. Eles assistiam a Disney. Mas depois de um tempo, ela queria ser a Branca de Neve e ele queria ser o Rambo, bem livre da vida. Ela esperava um príncipe encantado, e ele esperava qualquer coisa da vida, no meio disso, muitas coisas dela. Acho que tudo isso virou simplista. Continua sendo simples, mas de uma forma diferente. Um esperava de um lado, o outro do outro. Uns falavam, conversavam, cobravam. Outros quietavam, frustravam. De todo modo, um sofria de um lado, de outro. O segundo ficava à espreita, mas sofrendo também. De tanto sofrer, um dia aí, que não colocaram data,  alguém, que também não se sabe quem, resolveu colocar ordem no negócio: dali para frente, chega de compromissos. Daquele início de adultez já se esperavam compromissos demais, esse de sofrimento não precisava constar no currículo. A princípio parecia ótimo: quantidade, julgamento, qualidade, talvez… Depois, ele queria, mas não era a ordem. Ela queria, mas era para dizer que não. Os dois queriam, mas fingiam que não queriam por nada do mundo. Ele morria de vontade de falar com ela, e não falava. E quando ela questionava, ele dizia que não falava porque não queria e não pelos tais joguinhos. Ela repetia o repeteco. Criou-se a era dos jogos. Ao fim, os que assumiam os sentimentos viravam pisados, expostos e bobos da corte. Do medo de sofrer veio o orgulho para se proteger. Em que era melhor terminar para não viver o medo que nem sabe de onde… no fim era sempre mais sofrido. Ainda é mais sofrido. Da ansiedade de sofrimento veio a Hipocrisia. A culpa não é dos contos de fada. A culpa é das pessoas. E das opções do todo. Quem é do todo não há de tentar ser individual, já que o início já pressupõe esse seu ser hipócrita. Inclusive eu. Inclusive você. Todos. A essência hipócrita, que veio da covardia e da frouxidão de outrora se traduz em um Amor que se encerra na definição. O amor que termina em si é o amor Mentiroso. Não é fácil lidar com mentirosos. Chega a ser insuportável, para ambas as partes. Mentir para se prevenir não é Omitir. É ser mentiroso. O amor então deixa de ser palpável, deixa de ser bonito, deixa de ser sentido. Ele vira sofrimento, e a ciranda nos leva ao mesmo ponto do qual tentávamos fugir a princípio: ao sofrimento. E dessa vez, muito pior. Ao que o homem resolveu colocar o dedo, ainda que culturalmente falando, a reposta para tudo é: só lamenta-se. A partir do momento em que a paz vira vazio, tudo perde o sentido. Amor? Vá para Roma, beba um vinho e fique em paz.

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