Piruetas

Dessa penumbra dos dias nos quais se pratica vontade própria, de repente em um sopro de ar em dia cinza, cruza meu caminho dois passarinhos piruetando no ar. Mais improvável que isso era o vôo sincronizado com a música que tocava no carro. Depois de algum tempo esperando exercer alguma vontade própria, há horas em que olhamos para a vida e nos vemos apertados em cubículos. Entre quatro paredes que nos apertam, nos pressionam e nos obrigam a decidir o que é melhor. 
Então, é necessário a decisão sábia entre tudo o que esperava e nada. O nada pode ser o novo tudo. Ou pode continuar sendo nada. A tal decisão faz-se parecer polarizada, entre o você e o que você quer. A duras penas percebe-se que são coisas são diferentes. A auto estima pode ser alta, a auto suficiência pode suprir certos males. A necessidade de sumir vem de um desejo de preservação daquilo que não cuida, não toma conta, vira de costas e não dá satisfações. Mas ainda está ali, a espreita, embora não se sabe porque. 
Apega-se a parte do futuro, ao fato de que dias melhores virão. Apega-se a dor e esboça fortaleza diante dela. Olha para frente visando um lado bom, e não um sono cômodo. Muda-se de planos, faz novos planos, se apega aos antigos, tanto faz. O fato é que a roda gira. Gira, sim. 
Não conseguir pensar é deveras perigoso. Entretanto, já cheguei a conclusão de que existem os Santos que nos protegem desses momentos em que somos ausentes da própria vida. Em que abandonamos grande parte dela para viver momentos a parte, os quais não internalizamos. Ou por não achar que vale a pena, por medo de sofrer, por não ter mérito de incluí-los dentro de nós. Me pergunto, qual mérito?
O relógio desperta todo dia. E hoje, a única coisa que me veio em mente é que quando assumimos o que queremos, não existe aquela escolha. Aquela lá entre você e o que você quer. Quando chegamos nesse ponto de sinceridade com nós mesmos, é a hora de assumir de que coisas nos são tiradas, e o mundo não acaba por causa disso. Nos tiramos das coisas, e ainda assim a vida continua ali. Principalmente, o fato de querermos algo de verdade, já torna isso parte da gente. Então não tem escolha. Entre você e você, eu fico comigo. E isso não excluí o fato de você já ter um lugar dentro de mim. Sendo assim, acenei para os passarinhos. Que suas piruetas renderam bons frutos.

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