Auto Imunidade

Eu nunca tinha parado para pensar nessa auto imunidade emocional que nós temos. É um desenvolvimento um tanto quanto bizarro, e a tendência é cair em uma negação profunda. Afinal, a ideia de auto-boicote é deveras estranha e um tanto inacreditável. Em um mundo em que todos querem alcançar a felicidade, dos quais uma boa parcela nem ao menos sabe o que é a tal, nem como seria esse mundo idílico, como pode ocorrer algo assim? Pois bem, sim, nós lutamos contra nossa própria felicidade. Desenvolvemos auto-anticorpos emocionais, que atacam a ninguém mais do que nós mesmos. No medo de dar errado, não nos entregamos à vida ou aos sonhos. Tememos que dê certo, porque depois do certo vem o errado. Quando alguma voz amiga ainda tenta nos alertar, mentimos para nós mesmos. Dizemos que o passado, a vida e o etecetera nos ensinou lições preciosas do quanto devemos nos resguardar. Ou que depois de picos vem despenhadeiros. Inventamos mil momentos históricos que embasam nosso argumento, falamos que Napoleão ascendeu antes de cair, bem como o Império Romano. E já há algum tempo pensando nisso, percebi que não é a vida que fala essas coisas para gente. Nem ela que ensina. A vida é boa demais para ensinar mal dizeres. Nós atraímos o que pensamos. Quem ensina isso para gente somos nós mesmos. São nossas experiências. Nossos traumas. E a minha pergunta é, qual o trauma merecedor de tanta energia canalizada por toda uma vida? Qual espaço ele deve ocupar em nossas cabeças? Quanto medo ele deve gerar? Foi uma experiência negativa o suficiente para marcar, e sim, eu sei disso. Justamente por isso, é ele quem tem sido o tumor da vida. Ele adoece a vida, e os sentimentos. Ele produz esses auto-anticorpos. E o segredo aqui não é expulsar ou hostilizar o coitadinho, porque ele também não tem culpa de ter acontecido. A grande sacada é se apossar dos próprios traumas, já que eles são parte da gente. Eles ensinam coisas cabíveis, embora não pareça. Enquanto recusamos os aprendizados corretos de cada situação traumática, expulsamos dela a parte boa. Expulsamos, então, de nós mesmos. E ficamos com aquela sensação de que tudo relacionado a isso precisa ser afastado. Quando algo remotamente semelhante nos faz lembrar de alguma coisa que foi boa e deu errado, nós expulsamos mais isso. Nos obrigamos a nos afastar. Criamos auto-anticorpos, e sofremos em dobro. Então, só me resta dizer que enquanto não existem tipos de imunossupressores emocionais, a forma que vejo de evitar a problemática é abrindo os braços e se jogando no despenhadeiro de vida. Porque mesmo que depois disso o mundo despenque, e a dor seja forte e aperte, pode-se contar que chegou a algum lugar.

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1 comentário

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Uma resposta para “Auto Imunidade

  1. carol

    No hall dos melhores! 😉

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