Arquivo do mês: novembro 2013

A reciprocidade da chatice me conforta

Quando você abre mão de uma verdade própria para contá-la aos outros, torna-se evidente que você transfere de si mesmo para o outro a posse de suas próprias opiniões. Por isso, viva seu silêncio como se ele fosse só seu, porque ele é. – notas de viagem- Estocolmo em 30/07/2012

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Estou de partida

Por vezes me pego pensando e repetindo para mim que quem já puxou de si uma árvore, é bem capaz de cortar um galho. Não me lembro ao certo da onde tirei isso, só sei que repito. Não sou grande fã da mudança, de grandes mudanças, ainda mais quando isso incluí tirar fragmentos de nós. Pedaços que estão dentro e cacos de pessoas que sobraram ali, só mesmo como cacos. De vidro, arrisco em dizer, porque elas estão ali e na atitude mais despretensiosa possível, te cortam, te machucam. Isso acontece, penso eu, e é só mais um chute, porque a gente, no fundo, não quer tirar a árvore. Nem o galho. Eles fizeram parte e continuam fazendo. Eles estão ali, e sempre estarão de um jeito ou de outro, em nossas memórias. O que nos falta é coragem mesmo. Coragem para puxar o esparadrapo de uma vez, coragem para decidir a partir de que ponto não depende mais de você e sim do outro, de perceber que já se deu tudo de si e que depois de ali, meu amigo, daquele ponto exato, só vem o fundo do poço. E antes eu achava que meu medo era chegar nesse tal de fundo. Mas não, sofrimento por sofrimento, passar cede, fome ou qualquer coisa não faz a menor diferença. O quê da questão está em perceber que existem recursos os quais nos poupam. Que nos dão uma perspectiva mais otimista, e são quando as coisas começam a dar certo. Abandonamos o que ficou em cacos, e isso dói, é fato. Acontece que dói mais o despedaçar em cacos do que a retirada deles de dentro de nós. O pior ja passou. É como cortar o cabelo. Para mim, disciplinar meu cabelo na gringa sempre foi complicado. O clima diferente, a falta de adereços, o shampoo ruim…até que entrei no primeiro salão com o qual me deparei em Estocolmo e pedi, sem dó, “corta no ombro”. Dali em diante se foram dois palmos de cabelo. Respirei fundo enquanto via os fios caírem. Fechei os olhos e pensei: paciência, cabelo cresce. Fiz amizade com duas brasileiras enquanto secavam meu cabelo, tomei um café e parti para vida. Qual é? O que teria feito diferente disso? A verdade é que ele cresce. E quando os cacos se vão, quando assumimos nossa derrota ao tentar salvá-los, a saída é olhar de forma otimista e bondade de espírito para todo o resto. É sorrir e perceber o quanto já se foi forte. Nada disso são necessariamente perdas, você é um ser provido de encéfalo e, Deus queira, tambem de lobo temporal. Preserve e se aposse de suas memórias. O espaço físico deixe para as pessoas novas, que se farão realmente presentes. Que merecem estar ali porque estão de corpo e alma te completando, no auge e na tristeza, e não só falando sobre completar. Blá, blá, blá já temos demais, meus caros. Se apegue ao hoje e a tudo de bom que está por vir, e virá. Engate a primeira com direção e sentido únicos. O motorista é você. Para onde? Para vida.

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novembro 2, 2013 · 6:35 pm