A vida a Oeste

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Tem horas que alguns eventos cotidianos cansam. Gosto do meu computador. Gosto de Xis na tela. Eu consigo fechar o que eu quiser a hora que eu quiser. Conseguimos. Estamos todos predispostos a fechar as coisas na cabeça, a esquecê-las e pronto. Quem dera a humanidade tivesse para tudo um botão de liga e desliga. Para algumas pessoas eu chego a pensar que esse botão exista. Tá gostando da pessoa errada, do homem que não é para você? Desliga o sentimento. Não gostou do café? Desliga o amargo da boca. Sexta feira a noite? Desliga a solidão daí. Errou no trabalho e preencheu tudo errado? Não joga fora, desliga o erro. Desliga tudo, esquece tudo. O que vale a pena é deixar passar, deixa que vá, desliga. Tá te incomodando? Off na opinião alheia, para que ela serve mesmo? Não julgo os que desejam ter esse botão. Eu também queria. E aí resolvi pensar no que eu primeiro desligaria caso o tivesse. Se tratando de mim, talvez não precisae dizer que entrei em conflito, já que ao pensar isso estava despertando de um sono pós plantão no meio da tarde. Queria continuar dormindo, mas o sol não dava sossego do lado de fora. Fazia seu trabalho árduo me fazendo arder por trás da janela, e da parede já pelando. Não sei se tinha olheiras, mas tentei encará-lo por qualquer vão e mostrar o quão queria dormir. De nada. Então pensei, Ah se eu pudesse desligar esse sol. A questão é que se eu o desligasse nunca mais veria os pôr de sóis que consigo ver todos os dias da minha casa. Que tantas vezes me fizeram chegar mais cedo e cozinhar um beijinho para assistir no meu camarote de sacada, que já viram meu riso e meu choro. Que me acompanham em um samba de fim de tarde, de uma MPB particular ou de um Rock variado, fazendo o controle remoto de microfone e pulando na sala. Quantas vezes, meu Deus, não olhei pela janela, suando de tanto dançar e imaginando a vergonha que passaria se alguém visse. Mas era só ele. E ele podia. Aquele pôr do sol que já me viu de todos os jeitos. Ele sabe de mim todas as facetas. E, então, desligaria? Se pudesse pausar, pausaria? Seria justo? Os melhores e maiores aprendizados vem sim do erro, podem vir de alguém mais sábio, de uma queda boa, e também podem vir de boa. Mas existe o aprendizado que só chega depois de enfrentarmos uma situação, de atravessar, de passar por. Esse processo de encarar o combo, inclusive o combo sentimental, é que faz a gente aprender um bocado de coisa. Se o tal do botão existisse (e lamento por aqueles que o tem como lei), qual seria a graça da coisa? Tem graça terminar sem sofrer? Tem graça não conhecer o amargo para definir qual seu melhor doce? Magoar os outros para não ser magoado?
Gosto muito de Herculano. Ele era super a favor da ideia de que querer é poder. Mas sempre partindo do pressuposto que o querer de verdade era deveras raro. Então queira: Queria enfrentar, deseje passar por isso, abrace a parte boa e a ruim, abra os olhos para o bonito e para o feio, faça bom uso dos dois lados, sem ter necessidade de estar em cima do muro.
Quando a mim,desde então esqueci meu botão OFF, o qual nunca existiu. Esqueci porque a vida é assim mesmo. A minha mora a Oeste, e o sol bate nela todo fim de tarde. É, bate, me acorda, me faz queimar, me faz feliz, já me fez de tudo. Porque da felicidade faz parte gostar de tudo. Até dos problemas.

* Foto: Por Malu Lima, em São josé do Rio Preto

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