Arquivo do mês: março 2014

Carta aos meus amigos

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Foi de ver uma amiga morrer de sofrer pela pessoa errada que resolvi escrever isso. E lendo o que vem talvez vocês depreendam o porquê dele ser o cara errado para ela. Já vão pensar que não existe fórmulas e receitas de bolo, e eu digo: não importa. Seja. Seja o cara mais criativo que já passou na vida dela. Surpreenda. Escreva, ainda que sejam poucas palavras para dar com o chocolate. Conte o que você sente, e haja de acordo. Aguarde dela atitudes espontâneas, as quais serão coerentes com as suas. Dê flores. Algumas vão dizer que não gostam, é mentira. Ouça cada palavra, mesmo quando parecer drama, e enfrente esse drama como se a resolução dele fosse resolver também todos os poblemas da sua vida (alguns se resolverão). Dance com ela uma valsa, mas pule nas músicas mais bregas ou quando ela quiser pular. Seja amigo. Não adie quando ela precisar. Esteja lá, senão algum outro eventualmente estará. Abrace muito e a deixe sentir protegida, em todos os momentos. Não a deixe parar de sair com as amigas e nunca pare de sair com os amigos. A leve para jantar em um lugar que a partir daquela noite vai passar a ser o favorito, e isso não precisa envolver muito dinheiro. Use e abuse de clichês adaptados, seja divertido, sorria. Chore. Fale dos seus problemas e confie. Fale das suas expectativas, divida. Fale sobre o que sente em relação ao mundo e a ela. Os pequenos presentes são os melhores. Preste atenção nos sinais e nos detalhes quando pensar neles. Ainda assim surpreenda. Seja o melhor cara do mundo para se tomar uma coca cola, ou qualquer outra coisa. Saia da sua zona de conforto, decida que vale a pena e seja o cara. Apenas seja. Estou escrevendo porque não podia deixar meus amigos serem os babacas que perderam grandes pessoas por medo. Viver na penumbra da irrealidade, da solidão assistida e do que podia ter sido é sempre pior. Então pare de ser o idiota da história, porque idiotas nunca são protagonistas. Seja Ele.

 

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Imperativo

Hoje acordei com vontade de tirar da vida tudo que não faz valer. Cansada de tudo que é passivo. Acordei defendendo a manutenção das atitudes e a saída de todo e qualquer mais ou menos. Então faça. Ande, fala. Mas fala tudo. Assuma riscos, compromissos e responsabilidades. Abrace, grite, ajude e ame. Tenha. Lembre. Sinta. Saia de cima do muro por medo, se aposse do imperativo da sua vida. Faça valer para viver e viva para fazer valer.Imagem

* Foto: Por Malu Lima, em São josé do Rio Preto

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O Lado bom da vida

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Dia desses estava subindo uma rua a qual sempre subo, todo-santo-dia. A questão é que, em certo ponto, ela se dá com outra, e ambas são mão única. As pessoas insistem que não, mas elas são, e eu costumo respeitar isso (embora francamente vez ou outra dê uma roubadinha, a próxima esquina é tão pertinho). Foi nesse dia que subindo essa rua, e na parte mais movimentada dela, aquela que ninguém se atreve a entrar na contra mão por ser em frente a um shopping center, um carro saiu de um estacionamento ali localizado e jogou o carro no sentido contrário ao que eu estava. Aquilo me gerou momentaneamente uma revolta interna, que cheguei a ficar de boca aberta, literalmente. No segundo seguinte ( e essa ordem de fatos foi muito rápida), me mandei fechar a boca. Então reduzi a velocidade e, para meu espanto, o cara seguiu na contra mão, mas à sua direita. Agora repare que o que mais me espantou foi o que eu pensei quando assisti a essa segunda cena. Ora, que se fosse para ir na contra mão, pelo menos andasse mesmo à direita. Meu superego explodiu. Como assim? Para começo de conversa não era para o cara estar ali. Como sair impune a isso aos meus olhos e aos olhos de todos que com certeza viram absurdo na situação? E aí é que eu agradeço todos os dias por ter um ego com muito bom senso. Qual é? Qual nossa mania de ver sempre o lado ruim dos erros? Sei que existe o maldito clichê que custamos a acreditar quando a coisa pega para o nosso lado, e as pessoas dizem que dali há algum tempo aprenderemos com o erro, com a dor e com o que for. A verdade é que nem sempre se aprende. Mas existe um lado bom, ainda que ínfimo. E sim, a graça das coisas está em tirar o lado bom delas. Muitas vezes vamos de encontro ao erro, sabendo que para acertar é preciso passar por ele. Temos a impressão de que vamos errar, mas queremos sentir aquilo que se sente quando se erra, lide, quando se é humano, quando se pode quebrar e ser vulnerável. Então eu dei risada do ridículo. O politicamente incorreto insistindo em ser correto. Aplaudi mentalmente o ato. E segui meu caminho deixando um bando de revoltados para trás, com a mão na buzina.

* Foto: Por Malu Lima, em Munique, Alemanha

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