O Lado bom da vida

Imagem

Dia desses estava subindo uma rua a qual sempre subo, todo-santo-dia. A questão é que, em certo ponto, ela se dá com outra, e ambas são mão única. As pessoas insistem que não, mas elas são, e eu costumo respeitar isso (embora francamente vez ou outra dê uma roubadinha, a próxima esquina é tão pertinho). Foi nesse dia que subindo essa rua, e na parte mais movimentada dela, aquela que ninguém se atreve a entrar na contra mão por ser em frente a um shopping center, um carro saiu de um estacionamento ali localizado e jogou o carro no sentido contrário ao que eu estava. Aquilo me gerou momentaneamente uma revolta interna, que cheguei a ficar de boca aberta, literalmente. No segundo seguinte ( e essa ordem de fatos foi muito rápida), me mandei fechar a boca. Então reduzi a velocidade e, para meu espanto, o cara seguiu na contra mão, mas à sua direita. Agora repare que o que mais me espantou foi o que eu pensei quando assisti a essa segunda cena. Ora, que se fosse para ir na contra mão, pelo menos andasse mesmo à direita. Meu superego explodiu. Como assim? Para começo de conversa não era para o cara estar ali. Como sair impune a isso aos meus olhos e aos olhos de todos que com certeza viram absurdo na situação? E aí é que eu agradeço todos os dias por ter um ego com muito bom senso. Qual é? Qual nossa mania de ver sempre o lado ruim dos erros? Sei que existe o maldito clichê que custamos a acreditar quando a coisa pega para o nosso lado, e as pessoas dizem que dali há algum tempo aprenderemos com o erro, com a dor e com o que for. A verdade é que nem sempre se aprende. Mas existe um lado bom, ainda que ínfimo. E sim, a graça das coisas está em tirar o lado bom delas. Muitas vezes vamos de encontro ao erro, sabendo que para acertar é preciso passar por ele. Temos a impressão de que vamos errar, mas queremos sentir aquilo que se sente quando se erra, lide, quando se é humano, quando se pode quebrar e ser vulnerável. Então eu dei risada do ridículo. O politicamente incorreto insistindo em ser correto. Aplaudi mentalmente o ato. E segui meu caminho deixando um bando de revoltados para trás, com a mão na buzina.

* Foto: Por Malu Lima, em Munique, Alemanha

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s