Arquivo do mês: abril 2014

Aquilo que vai longe

Sou adepta do pilates. Mais do que por todas as vantagens que ele proporciona, uso ele como filosofia de vida, algo do tipo, foco e respira. Respira, respira, respira. Vai devagar e respire, o tempo todo. Não costumo ter partes de vida devagares. Não engatinhei. Vivo fazendo as coisas de um jeito rápido e desastrado. Sim, eu tropeço em tudo. Eu derrubo muitas coisas, e eu quebro vários copos durante a semana. Eu cozinho e é difícil acabar a tarefa sem uma pilha de bagunça atrás de mim. Mas o pilates me ajuda a lidar com isso de um jeito melhor, mais jeitoso. Pois bem, que foi quando eu o deixei por uns tempos e, ao voltar a praticar, percebi o quão travada estava. O mais curioso não foi essa descoberta. Foi entender que enquanto eu tinha meu antigo alongamento, não fazia ideia do quão apta eu era. Até não conseguir atingir o joelho. E ali falávamos de regressão. Abandonei, regredi, paciência, teria que atingir joelho, canela, pé, para então conseguir beijar meus próprios joelhos. Voltei ao treinamento, e aos poucos fui chegando onde parei e progredindo novamente, entre uma respiração e outra. Devagar se vai longe, literalmente, nesse caso. Era um pouco imperceptível o que eu empurrava a mais, dia após dia. Era uma vitória boba, mas ainda assim simbólica. É o que me fez perceber que a gente nunca pára e pensa na vitória de todo dia. Do que levamos de cada número do mês, do que nos foi especial naquele momento. Que nos faz querer mudar, impulsiona todas as coisas, e ainda que um sorriso amarelo, provoca na gente. Essas pequenas vitórias são mais importantes que a vitória maior. São exemplos de superação diária, aquela que ninguém enxerga. Porque as pessoas em geral olham para você e vêem o efeito. O resultado. Mas para você, e o que te construiu, diga-se de passagem, foram os pequenos passos que você deu até aqui. E essa batalha foi bem mais interessante. Foi lendo Amor em tempos de cólera, do Garcia Marquez, que me veio uma frase célebre atribuída aos pensamentos do Dr. Juvenal. Ele dizia que, quando aprendemos algo, isso já não nos serve para nada. Eu me dou ao direito de discordar do personagem e talvez até do escritor colombiano. Temos diariamente a oportunidade de nos fazer servir. De prestar atenção do sol que vem a frente e dos pequenos eventos que nos fazem melhor. Quando estamos atentos a eles e nos apossamos da consciência do crescimento, o aprendizado vem antes e a ficha caí mais rápido. Então, meu amigo, não é pura auto afirmação. É devagar e sempre. Entre um e outro, nunca se esqueça de respirar. Te garanto que esse amor vai longe, e vai te fazer amar quem aprecia não só a você, mas toda sua batalha.

 

 

 

 

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