Quando é hora de deixar

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Dia desses estava brincando com meus priminhos. Eles me puxavam pela mão e gritavam “cabeça!”. Queriam brincar de quebra-cabeça, e eu, toda maternal, não me aguentava em perguntar desconfiada: Será que essa peça não encaixa aqui? E essa outra? Claro. Eu dava a dica, eles encaixavam, missão dada, missão cumprida. Passei anos ouvindo as pessoas falarem da boca para fora que atitudes valem mais do que palavras. Eu falo da boca para fora porque nós amamos relevar a falta de atitude alheia. Nós amamos tomar a atitude pelos outros, perdoando e perdoando. E eu mesma reproduzia essa frase. Palavras não valem como atitude. E não valem mesmo. Mas então percebi que repetir essa frase também eram meras palavras sem atitudes, porque quem fala isso espera uma atitude, uma resposta, um gesto ou mesmo uma palavra ou reação diferente. Espera do destino. Aí é que tá… Do que adianta esperar do destino se quem se move para a bifurcação são nossos pés? Quem escolhem um dos dois caminhos é a nossa cabeça? E quem dita o que realmente queremos seguir é o coração? Qual a responsabilidade do destino nessa? Nenhuma. Não adianta só chorar pelo problema sem querer resolver e, pior, sem fazer nada para resolver. Não adianta julgar sem ajudar a mudar. Nem soltar palavras que não ditas causariam menos alvoroço do que, quando ditas, ficam soltas no ar, sem atitudes correspondentes. É hora de olhar para frente, porque é para frente que se vai. É hora de nunca mais falar que atitudes valem mais do que palavras, porque as vezes a atitude que esperamos são palavras. Só que diferentes das que sempre ouvimos. É hora de não esperar que o outro mude alguma coisa na sua vida, porque o que vai mudar é você. As atitudes que você espera vem das chances que você cria e das escolhas que você faz. E se elas não correspondem às suas expectativas é hora de mudar de esperança. Mudar de ares, trocar as pessoas. Não digo abandonar, e sim vê-las de um ponto novo. As peças de um quebra cabeça estão sempre lá, falta descobrir onde cada uma encaixa. Onde encaixa amizade, onde encaixa amor e onde encaixa as duas coisas. Uma peça não excluí a outra, elas só completam um enigma que esclarece certas verdades internas. Bom, o que eu levei de tudo isso? Que dar as respostas para os pequenos estava errado. Eu não estava ensinando eles aprenderem. Me surpreendi quando parei de dar palpites e em três minutos o quebra-cabeça estava completo. Me orgulhei silenciosamente por deixar que eles tomassem a atitude. Quando a gente não espera, mesmo agindo com o silêncio, as coisas nos surpreendem. As pessoas agem. E nós somos mais felizes. Então deixa a falta de atitude passar, porque ela passa sozinha. Deixa o que não vale a pena sair da vida, porque se faz a retirada automática. Deixa o que é nosso nos procurar, porque quem procura o que é seu acha. Volte-se a procurar suas belas partes de vida, que elas perpetuarão para sempre plenas e intensas. É o que faz a vida valer a pena.

* Foto: Por Malu Lima, em Zurique, Suíça

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