Arquivo do mês: junho 2014

A incrível geração de mulheres que continuam discutindo os homens

Acho que toda vez que abro o facebook encontro alguém compartilhando uma intertextualidade do Escrito da Ruth Manus no Estadão. Quando uma amiga me mandou o texto, me identifiquei com algumas partes e outras nem tanto. Não acredito em extremos. A gente trabalha, faz nossa parte e também faz o que gosta e o que não gosta. Os workaholics extravasam em algum lugar, ainda que seja entre quatro paredes ou entre mil papéis. Eu gosto de cozinhar mas também já explodi um microondas, já tive momentos de segurança e de me sentir no topo do mundo e também já dei olá ao fundo do poço, já estive feliz ao lado de certos homens e já chorei por alguém, já trabalhei muito e já faltei muitas aulas, fui levada a sério, fui piada, conheci homens sinceros e dissimulados, e, por fim, não acredito que textos genéricos em um jornal de grande circulação são feitos para agradar a todos. Obviamente, como toda contrapartida, as opiniões se dividem e são discutidas. As mulheres da nossa geração são sim criadas para o mundo, concordo com a Ruth. Mas ainda existem as que não são. Existem os homens que se intimidam, e têm aqueles que não. Como sempre estiveram ali, paradigmas permanecem, bem como o sim, tanto quanto o não. Mas se tratando de mulher tentando interpretar cabeça de homem o assunto teve que virar auto afirmação em tom agressivo. Eu li chatas, li mal amadas, encalhadas, daí para baixo. O que eu posso dizer? Amigas maravilhosas se identificaram com a crônica da Ruth. E tenho certeza que elas não são nem um pouco chatas ou mal amadas. Outras se identificaram com um milhão de outras formas intertextuais em cima disso. O fato é que toda resposta perde a força ao ser agressiva. Para mim, mais danoso do que se valorizar se dizendo uma geração de supermulheres é se auto afirmar em cima da crítica ao outro. Você é realmente melhor por ter um homem? Você se sente superior por ter uma auto estima embasada em outros padrões? Por nunca ter ficado deprimida, nunca ter lamentado uma perda ou por pregar que devido às suas atitudes fantásticas e seguras de si você tem alguém do seu lado?
Um amigo meu veio discutir o texto do Estadão comigo. Ele estava inconformado. Eu expliquei: você está inconformado por ser a exceção. Por ser um cara criativo e de bem com a vida, por ser seguro de si e não se intimidar com o sucesso de ninguém e por viver verdadeiramente seu eu, seus sentimentos e emoções. Óbvio que aquele texto causa certa dificuldade quando generaliza homens e mulheres de nossa geração. O que eu quero esclarecer aqui é que todos os textos generalizaram. Todos se trataram de mulheres se auto afirmando para se defender de homens, de opiniões, julgamentos, da sociedade e de outras mulheres. E para quê? Para continuar entendendo a cabeça deles.
Então mulheres, deixe-me defender nossos amigos homens. Na hora de falar que homem não presta, lembra do seu melhor amigo, do seu pai, do seu irmão. Lembre que nesse meio existem os que não prestam, mas sempre sobra aquele pelo qual você colocaria a mão no fogo. Então, você vai me dizer que o tipo é raro. Pode até ser, mas dentro desse subtipo raro e diferenciado, existem milhões, e um deles encaixa em você. E se não for agora, vai ser em algum dia. Não é recalque tentar entender a cabeça dos homens em relação às mulheres, não que um dia alguém vá entender isso. Recalque é julgar outra mulher por ser assim ou assado. É reafirmar a fama feminina de criticar e espalhar o mal amor ao mundo, querendo despertar inveja. É arranjar briga e discussão por causa de um homem hipotético assumido como uma geração inteira, que na verdade nem existe. Antes de entender o homem ao lado, entenda o seu. Se ainda não tiver um, entenda você. Se quiser se iludir na tentativa de entender ou julgar uma geração, lembre que generalizações perdem força argumentativa. Analise a sua auto estima, trabalhe em cima das suas verdades, se conheça e saiba o que você quer. Para o sim ou para o não, as coisas vão acontecer exatamente como você fizer valer, tendo por base seu passado, o que você quer para seu futuro e como você encara sua vida hoje. Se sinta bem sendo e fazendo o que você quiser, não dependa de um homem para te aprovar ou para cozinhar para você. Não ache que por ter um pode gritar aos quatro ventos o que quiser. E por último, saiba que cada vida é vida, independentemente do modo que cada um queira vivê-la, sendo supermulheres da incrível geração de mulheres que os homens não querem, da super geração de mulheres que se autoafirmam se bastam até o próximo problema ou de qualquer geração normal que você tenha parado, com suas infinitas particularidades que não cabem ser discutidas e nem agredidas pela amiguinha ao lado.

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Com sombra e sem dúvida

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Nessas viagens que fiz com amigos, a prece é sempre a mesma. As meninas entrando nas milhares lojas de maquiagem e os caras reclamando. Tenho um amigo que era o que menos reclamava, porém veio com um argumento diferente. Certo dia, no almoço, começou a discutir o fato de homens não gostarem de maquiagem. Odiavam olho preto, e quem dirá o batom. Não sabiam porque as mulheres gostavam tanto dessa máscara.Ontem fui passar batom e parei na frente do espelho. Foi nessas e tantas que eu comecei a pensar, nós usamos as máscaras cosméticas, mas e as outras? E aquela máscara que todas as pessoas colocam todo santo dia antes de ir para o trabalho e penduram ao chegar em casa? E aquela voz mansa que se tem diante do mundo e que vira uma voz ríspida e dura dentro de casa, depois de passar a chave? Sempre me ensinaram que a mudança começa dentro de casa, ou entre os mais íntimos. Para mim, isso não funciona. A mudança começa no seu íntimo, dentro de você, quando alguma coisa te estimula a mudar. Também acredito que mudamos com coisas e pessoas certas. Invariavelmente, com ou sem passos adiantes, cometeremos erros e, sim, vamos extravasar com aqueles que sabemos que continuarão ali, pendentes ao nosso lado. É intrínseco. É quem tem a responsabilidade sobre a gente, além da responsabilidade que carregamos sobre nós mesmos. São para essas pessoas que damos parte de nossas vidas, ou muitas vezes elas já nascem com um pedaço da gente na mão, não tem como escolher diferente.
Com a minha pressa, passei o batom e saí de casa. Deixei meus pensamentos assim, a Deus dará, quando ainda se falta algo consistente a se apegar. Chegando em casa, novamente, no fim da noite, olhei para o espelho do elevador, como faço invariavelmente (quem não faz?). Estava eu lá, mais uma vez, sem maquiagem. A questão é que no fim da noite ela sempre se foi. E adiantou perder tempo com a produção? Sim. Porque no fim, o que fica é o que atravessa a noite e te vê assim, dia após dia sem maquiagem. Quem anda do seu lado não deixa de gostar de você quando não tem batom, blush e sombra. Nem gosta menos de você quando você os usa. Quem fica te vê com o rímel borrando o rosto inteiro depois de uma longa chorada, depois de uma noite longa ou uma bebedeira qualquer. Os que ficam te oferecem um lenço e chegam a rir do seu olho de panda. Eles continuam se divertindo do seu lado, mesmo quando tudo acaba, e quando parece que as coisas chegaram ao fim.A amiga de verdade é a que te fala que tem batom no seu dente. Quando a caminhada parece acabar para você e o que te sobra é uma cara lavada, de olheiras e riscos de vida, são essas pessoas que vão te olhar e te achar linda. Audrey Hepburn dizia que nunca faria uma plástica, já que as rugas eram marcas que ela carregava da vida. Adaptando a pregação dessa que sempre admirei, te daria um conselho. Use sua máscara, adote sua maquiagem, esconda suas marcas do mundo, já que não são todos que merecem vê-las. Reduza a exposição, mas se abra com quem merece. Ignore o que te faz mal, mas perdoe o que se redimiu. Siga mostrando aos que verdadeiramente importam as histórias das cicatrizes que carrega consigo, porque toda vida guarda marcas grandemente boêmias e eternamente poéticas. Acima de tudo, pare e pense sobre o que aprendeu com cada uma delas, já que internalizar os fatos te torna conhecedor de si mesmo. Quem te aceitar assim, de cara lavada, e estiver do seu lado ao fim de cada noite não deixará dúvida: é mais uma sombra que você precisa carregar com você, com todo contraste entre qualquer luz e parede. 

 

* Foto por Malu Lima em Lisboa, Portugal

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O amor na geração Y

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Um dia eles vão perceber. Um dia vão notar toda essa sua grandeza. Eu queria que antes você apenas olhasse em volta e observasse a geração coca cola abrindo alas para essa nova que vem aí. Gostaria de te apresentar a geração orgulho, cheio de mocinhos e mocinhas de pé atrás, reclamando e tentando achar causas por não terem um par, por nada dar certo. Não tem gente decente no mundo, tem? Não existe mais tampa da panela. Sortudo daqueles que acharam, não é? Olha a baita da sorte que fulano, quando menos pensava que acharia alguém, pimba! Achou. Ouço as pessoas dizerem que você só encontra o amor da sua vida quando para de procurar. Eu discordo. Acredito que estamos vivendo uma geração amorosa peculiar, em que sair por baixo é feio. As mulheres lutam contra o machismo e ainda querem que o homem sempre tome uma atitude. O homem não entende bem dessa forma. A verdade é que os tais sortudos fazem pouco caso. É bem assim, não supervalorizam nada, deixam rolar, sem ansiedade. Aqueles ditos com sorte não ficam medindo atitudes aqui e ali, e não ficam preocupados com o alface no dente do primeiro encontro. Aliás, eles podem ir no primeiro encontro de all star e esmalte descascado, porque não faz a menor diferença. E daí? É o primeiro encontro, não o casamento. Esses tipos não fazem tipo, eles sabem que se não der certo o mundo não vai acabar. Geralmente, têm o mínimo de auto estima para sua preservação de modo que acreditam: estão no direito de experimentar, de selecionar e caso o par da vez seja errado, ele não é o último do mundo. Ah, e tem o pé na bunda. Se levar, vai morrer? Não. A notícia é que não está errado pensar assim. Vivemos a geração dos vinte e poucos anos, em que todo mundo aqui já foi desprezado alguma vez na vida. Caímos de cara com a pessoa errada, dizemos que amamos uma ou duas pessoas a vida inteira, temos sete pés e meio atrás com qualquer experiência nova embora, no fundo, todo mundo guarde a esperança de achar o seu e ir para o altar um dia. De tanto se decepcionar, nosso orgulho, já inflado pelas tantas conquistas que temos ou que eventualmente nossos pais conseguiram pela gente (ou fizeram a geração Y acreditar que mereciam), bate alto. Bem alto. Ele fala que já chega, que feio todo mundo pensar que você está sozinho, ou tomou um fora, ou está na bad por um mal amor. Ele te faz pensar que você vai se sair melhor quando fizer sofrer, e não ser o sofredor. Pior, as pessoas tem que acreditar que você saiu por cima, senão ele não se satisfaz. Seu medo de cair de cara e sofrer de novo é tão grande, que você olha o mundo com maus olhos: cada qual do sexo oposto é candidato perfeito para te empurrar do precipício. Quer saber de dois segredos agora? O primeiro é que o precipício foi você quem criou. O segundo é que todo o resto está na mesma. E portanto, ninguém vai se aproximar de ninguém genuinamente. A galera não está a fim de bater um papo e tomar uma cerveja. As meninas vão acreditar que são apenas segunda intenção. Os caras nunca vão achar alguém suficiente para se esforçar. Todo mundo na fé de que ninguém presta. E eu te pergunto, você presta? Ou você, geração Y, ainda está nessa birrinha com a vida de desafiar o mundo e gritar aos quatro ventos “eu sou um heart breaker e quero ver alguém que preste aparecer!”? Já te adianto que eu também sei que no escurinho da sua cama você chora e cruza os dedos para a vida te dar uma boa pessoa de presente. Uma boa pessoa que descomplique, que te dê calma e paz de espírito, porque você cansou de tanta turbulência. Mas não, ela não vai dar. Você vai continuar fingindo que não está procurando, na esperança de encontrar a pessoa certa, e não, você não vai achar. A gente não gosta do descomplicado, a gente quer o desafio. Não dá para descomplicar quando o nó está na gente. Então comece desfazendo esse laço aí de dentro. Uma amiga minha fala que não tem a menor vergonha de tomar um pé na bunda e de falar que tomou. E ela está certa, não há vergonha nisso quando você se valoriza. Descomplique. Descontraí. Vá se divertir, e não á caça. Vá jantar, e pode comer uma coxinha bem gordurosa com alho na balada, que se for o seu dia, vai ser. Tenha segurança em você, selecione, o babaca ao lado não é o último cara que você vai conhecer na vida. E se ele parece um chato, ele é um chato, não pense que vai transformar ninguém. Porque a vida não dá presentes para heart breakers envergonhados de si e de suas desilusões amorosas. Sobre essas desilusões, elas te ajudam a crescer e te fazem ganhar experiencia. São as lágrimas que empurram sua maré para onde ela está agora, então aproveite e vá na onda. Cresça, e dê o laço no lugar certo. Vá por você, não pelos outros. Procure, mas saiba bem o que está procurando, e não se deixe levar por menos. Menos não é o que você merece. Você merece mais, não da vida ou do destino, mas de si mesmo. Deixe esse orgulho de lado, abra um vinho e brinde comigo. Brindemos ao pé na bunda, aos foras do passado, às pessoas erradas, e aos acertos que virão. Mas principalmente brindemos a mim, a você, a nós. Não ocupe seu coração com o que quebra, e sim com o que o deixe maior. E se quebrar, eventualmente, não é o fim do mundo. Coração se cola, caco por caco, e não demora muito para achar o superbonder certo. 

 

 

* Foto por Malu Lima em Estocolmo, Suécia

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O que não mata, engorda

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Acho que sou constantemente testada pela vida. Todos somos. Me coloque um cardápio na frente e pronto, tenho um AVC imediato. Posso passar horas lendo o cardápio sem decidir. E como eu decido, afinal? Me obrigando a escolher. E mais, me forço a escolher rápido, não só porque em geral tem alguém na frente esperando. A gente precisa escolher, sempre. E quando é para dividir o prato, então? Invariavelmente a educação nos obriga a colocar a decisão nas costas do outro, que joga a peteca de volta para nós, naquela coisa de ninguém querer ser responsável pelo desastre, no caso dele acontecer. Vai que fulano não gosta da pimenta daquele prato ou do bife acebolado do outro. Antes ele escolha, eu engulo. De contramão já deixo claro, assim como você fingiria bem se não gostasse da escolha do fulano, ele também sabe fingir. Quero chegar no ponto de que várias vezes ao dia somos colocados nessas encruzilhadas de não conseguir tomar decisões. Travamos e abrimos mão das nossas escolhas. Vamos direto na opinião amiga ou alheia, com medo de errar. Agora eu te pergunto, se a opinião da esquina errar, quem vai sofrer com isso? Quem vai comer a cebola crua do bife que o outro escolheu? Pois devo te falar que sim, você vai perder, uma ou várias vezes na vida. Vai sofrer, vai cair, e com certeza vai se decepcionar. Vão te trair, vão mentir para você. Você vai sim repetir o mesmo erro, vai insistir na pessoa errada, vai amar pessoas erradas que no fim não vão se tornar pessoas certas. Vai desejar que certos milagres aconteçam, mas eles nunca vão acontecer. Vai imaginar um ponto edílico no qual você provavelmente nunca vai chegar. Mas eu te garanto que quando tudo isso se concretizar você vai se sentir melhor se a decisão foi sua. Ouça a opinião, faça com suas mãos. Escolha. Erre. Deixe o erro ecoar bem fundo, até você dar risada dele. Você vai rir, eu sei disso. Vai crescer, também, deveras, se cresce com bifurcações. Vá por uma, ande por outra, conheça as duas, e viva. Erre, mas viva. Aprende. Vá de mãos dadas, vá sozinho, mas nunca deixe que decidam sua vida por você. Parta seu coração sozinho, com uma escolha sua. Vá de encontro ao espelho, bate a cabeça e quebra. Deixe quebrar. Escolha o prato errado, não tem problema. A gente nunca tem a garantia de que as pessoas continuam ali para nos ajudar a juntar os cacos e colar, um por um. Então, caso quebre, ajoelhe, junte, cole. Viva. Para então você ganhar, achar a pessoa certa, tornar o que achava errado certo, ter um milagre na sua vida e chegar em um lugar diferente do que imaginou, e que te fez mais feliz desse jeito. Você vai estar grande para escolher aquela empada de camarão terrível no boteco ali da frente, olhar adiante e morrer de rir da dor de barriga do amanhã. O que não mata, engorda.

 

* Foto por Malu Lima, em Valencia, Espanha

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Rosas Amarelas

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Um dia me ensinaram que rosas amarelas são dignas de ganhar. Elas são neutras, simbolizam a vida e a amizade. Eu sempre a vi como um exemplo, porque não teve um dia que a encontrei no qual ela não me fez sorrir e dar gargalhadas, por qualquer que fosse o motivo. Não tinha dia ruim. A vida podia ter lá seus problemas, mas ela sempre sorri para todos eles. Quando soube que era vítima daquela doença tão feia me bateu uma tristeza. Não era medo, acho que em nenhum momento senti medo. Eu realmente acredito que quem constrói o tamanho do poço que a gente caí somos nós mesmos. Mas temos muitas pessoas em volta que nos ajudam a não criar um poço maior do  que podemos cair. Assim foi com ela, muitos amigos e pessoas queridas, muita dedicação e oração, pensamentos positivos. E da onde veio tudo isso? De quem ela é. Do pensamento para frente. De não desanimar em frente às circunstâncias e receber a todos com seu sorriso. Eu nunca tive medo, porque sempre soube que para viver, antes de tudo é preciso energia de vida, e que isso, ela tem de sobra. Nunca a vi como vítima da vida, porque essa mulher vive, e não só sobrevive. Quando o problema chegou, ele também a desanimou. A diferença é que o desânimo veio pela batalha e pelo medo. Quando é com a gente sentimos medo, né? Nunca acreditamos nas pessoas do nosso lado dizendo que tudo vai dar certo. No fundo alguma coisa fala o contrário. E hoje eu estou aqui para dar para todo mundo esse presente. Esse exemplo de vitória. Ignore essa voz que fica aí dentro dizendo que as coisas vão dar errado e que você não vai vencer. Se apegue aos melhores dizeres e se obrigue a acreditar neles. Repita-os para você mesmo uma, duas, mil vezes ao dia. Tenha as pessoas que gosta ao seu lado, se afaste do que te faz mal, do que fala contra e do que te desanima a toa. Pessoas que fazem isso estão de mal com elas mesmas a ponto de ver na crítica ao outro uma oportunidade de ascensão, que no fundo, só coloca todo mundo para baixo. Esqueça os que se dizem realistas. Faça como minha amiga. Se apegue na sua fé, na sua crença, sua esperança e lute sua batalha. Vença a sua guerra e use apenas aqueles instrumentos que fazem o bem. Reze, chore, caía e levante, que já é hora de levantar. Eu nunca tive medo. E sabe porque? Porque sempre soube que para ela, toda hora é hora. Qualquer hora é hora de vencer. E para nós, Dona Lúcia, toda hora é hora de estar ao seu lado. Espero que o meu exemplo vire também o de todo mundo. Que já é hora de se apegar a toda e qualquer energia de vida e pensar que é para frente que se vai. Já é hora de vencer a batalha, a guerra e virar herói. Da onde? Das nossas vidas. E você, Dona Lúcia, já tem um estátua só sua na vida de todo mundo. É heroína da sua vida e ilumina a de todo mundo em volta. Parabéns por mais essa vitória e obrigada por me lembrar que toda forma de pensamento positivo vale a pena. Obrigada por ensinar a todos nós como sorrir até mesmo para o que a princípio não merece, e fazer disso uma lição de vida tão bonita. Você vai do problema à conquista, e por isso essa vida vale tanto e brilha tanto. Por último, obrigada por me ensinar dia após dia que um sorriso tira a gente da multidão. Eternamente grata por ser uma rosa amarela da minha vida.

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Quem não arrisca

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Ele não sabia quem era ela, que estava ali sentada. Ela não sabia quem era ele que a encarava e ela encarava de volta. Ele não sabia que ela ouvia The Carpenters no fone de ouvido. Ela não sabia que ele achava os Rolling Stones maneiros, apesar de falar para todo mundo que depois daquelas camisetinhas o negócio tinha virado um clichezão. Ele não sabia que desde criança ela queria casar com o Freud. Ela não sabia que ele nunca quis casar. Ele achava que ela fazia o tipo pseudo-intelectual, e ela não sabia que sem perceber ele cantarolava Across de universe no caminho de ida e vinda do trabalho. Aliás, nem ele sabia disso. Ele não sabia que ela tinha medo de elevador e subia as escadas, e ela não sabia que ele nunca aprendeu a andar de bicicleta. Ele não tinha ideia que ela tinha um cachorro chamado Valentino, e ela estava achando que ele era um nóinha qualquer. Ele não sabia que ela fumava, até ver ela tragar uma ou duas vezes. Ela não sabia que ele se dizia geração coca cola, tinha cabelo comprido na adolescência e ainda sonhava em ganhar a vida com seu violão. Ele não sabia que o bar favorito dela era em Camden town, e ela não sabia que ele já fez uns bicos de garçom em Shoredicht quando morava em Londres, em seu intercâmbio. Aliás, ela também não sabia que ele passou um ano estudando inglês e mesmo assim reprovou a proficiência duas vezes, e nem ele sabia que ela falava inglês, alemão, mandarim e vinha aprendendo sueco. Ela achou que ele tinha TOC, toda vez que ele desviava o olhar, e ele achou que ela podia ser qualquer mimada da high society. Ele não sabia que ela o achou estranho, mas que gostou dele. E ela não sabia que desde o início ele gostou dela. Assim, de longe. Um não sabia nada sobre o outro. Mas se gostaram. Agora me diz, porque a vida não fez nada sobre isso? Quinze minutos depois, cada um foi para um lado. Afinal, a gente nunca sabe. É, se nós não sabemos, porque raios a vida saberia? No final, ninguém sabe de nada. E num ímpeto todo mundo segue. 

 

* Foto por Malu Lima, em Verona, Itália

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O que você precisa perder

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Me vejo sempre naquela situação de ter que arrumar a casa e fazer um milhão de outras coisas ao invés disso. Invento mil desculpas. É cansaço, é falta de tempo. Incrível como sempre nos falta tempo para colocar a casa em ordem. E eu te pergunto, qual casa? Sabe aquilo que não te faz bem e você se vê preso? O alguém que não saí da sua vida mas você diz não conseguir tirar? Acho que o sujeito está certo. É ativo, e não passivo. Objeto não deve ocupar lugar do sujeito. Não espere o que te faz mal ou o que não está certo se retirar voluntariamente da sua vida, como se fosse uma obra qualquer do destino. A verdade é que se ainda não saiu é porque você não quer. Uma professora de história a qual sempre admirei me perguntou uma vez: se você tem uma pedra no sapato, o que você faz? Eu respondi que provavelmente sairia mancando, porque a pedra iria atrapalhar minha caminhada. Eu faço diferente, ela disse. Porque? Pararia onde estava, tiraria o sapato e o sacudiria, até a pedra sair e poder continuar sua caminhada em paz. Hoje me pergunto quantas pedras a gente carrega no sapato, sem perceber. Quando foi que começamos a mancar pela presença incompleta de pessoas na nossa vida, acreditando que a causa de estar mancando era a ausência parcial dessas pessoas. Tá doendo porque não fala, não conversa, não faz, não é para mim. A verdade é exatamente o contrário disso, o que dói é a pedra. O que faz mancar é ela. Então, faça como minha admirável professora. Pare, tire o sapato e começa a sacudir. Sacode até a pedra sair daí. Quando ela sair, você vai perceber que o que te atrapalhava e não deixava você ir suficientemente longe era a presença de tal coisa ou pessoa, e não a ausência. Que você vive melhor sem isso na sua vida. E que apesar do apego, era justamente o tipo de coisa que você precisa perder para se achar. Onde eu quero chegar? Dizem que certas perdas são necessárias, e a gente ignora isso, porque geralmente somos nós quem perdemos, e nos dizem isso como consolo. Mas é a verdade. Sem algumas perdas a gente não aprende, não progride, não anda. Não pensa, não sente, não percebe a atrofia que certas coisas geram enquanto ainda estão ali. Sempre que perder algo, pense se não era mesmo para ir. Te digo, provavelmente era, e se não for, você vai contornar isso de alguma maneira, não se preocupe. Seja mais criativo que suas perdas, passe a rasteira nelas. Encare a perda como grandes prêmios que a vida te deu. Porque se essa pedra sair do seu sapato, apesar de você perder a pedra, será eternamente grato à vida por a ter tirado de lá. Então poupe seu papel passivo na história e a tire você mesmo. Largue essas muletas às quais você se apegou e usa de desculpas. A longo prazo sua campainha vai tocar, você vai abrir a porta e achar uma caixinha de presentes. Quando abrir, vai ver um cartão, e nele vem escrito: de você para você. O que? Um caminho para seguir, e uma vida em paz pela frente.

* Foto: por Malu Lima, Interlaken, Suíça

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