O que você precisa perder

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Me vejo sempre naquela situação de ter que arrumar a casa e fazer um milhão de outras coisas ao invés disso. Invento mil desculpas. É cansaço, é falta de tempo. Incrível como sempre nos falta tempo para colocar a casa em ordem. E eu te pergunto, qual casa? Sabe aquilo que não te faz bem e você se vê preso? O alguém que não saí da sua vida mas você diz não conseguir tirar? Acho que o sujeito está certo. É ativo, e não passivo. Objeto não deve ocupar lugar do sujeito. Não espere o que te faz mal ou o que não está certo se retirar voluntariamente da sua vida, como se fosse uma obra qualquer do destino. A verdade é que se ainda não saiu é porque você não quer. Uma professora de história a qual sempre admirei me perguntou uma vez: se você tem uma pedra no sapato, o que você faz? Eu respondi que provavelmente sairia mancando, porque a pedra iria atrapalhar minha caminhada. Eu faço diferente, ela disse. Porque? Pararia onde estava, tiraria o sapato e o sacudiria, até a pedra sair e poder continuar sua caminhada em paz. Hoje me pergunto quantas pedras a gente carrega no sapato, sem perceber. Quando foi que começamos a mancar pela presença incompleta de pessoas na nossa vida, acreditando que a causa de estar mancando era a ausência parcial dessas pessoas. Tá doendo porque não fala, não conversa, não faz, não é para mim. A verdade é exatamente o contrário disso, o que dói é a pedra. O que faz mancar é ela. Então, faça como minha admirável professora. Pare, tire o sapato e começa a sacudir. Sacode até a pedra sair daí. Quando ela sair, você vai perceber que o que te atrapalhava e não deixava você ir suficientemente longe era a presença de tal coisa ou pessoa, e não a ausência. Que você vive melhor sem isso na sua vida. E que apesar do apego, era justamente o tipo de coisa que você precisa perder para se achar. Onde eu quero chegar? Dizem que certas perdas são necessárias, e a gente ignora isso, porque geralmente somos nós quem perdemos, e nos dizem isso como consolo. Mas é a verdade. Sem algumas perdas a gente não aprende, não progride, não anda. Não pensa, não sente, não percebe a atrofia que certas coisas geram enquanto ainda estão ali. Sempre que perder algo, pense se não era mesmo para ir. Te digo, provavelmente era, e se não for, você vai contornar isso de alguma maneira, não se preocupe. Seja mais criativo que suas perdas, passe a rasteira nelas. Encare a perda como grandes prêmios que a vida te deu. Porque se essa pedra sair do seu sapato, apesar de você perder a pedra, será eternamente grato à vida por a ter tirado de lá. Então poupe seu papel passivo na história e a tire você mesmo. Largue essas muletas às quais você se apegou e usa de desculpas. A longo prazo sua campainha vai tocar, você vai abrir a porta e achar uma caixinha de presentes. Quando abrir, vai ver um cartão, e nele vem escrito: de você para você. O que? Um caminho para seguir, e uma vida em paz pela frente.

* Foto: por Malu Lima, Interlaken, Suíça

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