O amor na geração Y

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Um dia eles vão perceber. Um dia vão notar toda essa sua grandeza. Eu queria que antes você apenas olhasse em volta e observasse a geração coca cola abrindo alas para essa nova que vem aí. Gostaria de te apresentar a geração orgulho, cheio de mocinhos e mocinhas de pé atrás, reclamando e tentando achar causas por não terem um par, por nada dar certo. Não tem gente decente no mundo, tem? Não existe mais tampa da panela. Sortudo daqueles que acharam, não é? Olha a baita da sorte que fulano, quando menos pensava que acharia alguém, pimba! Achou. Ouço as pessoas dizerem que você só encontra o amor da sua vida quando para de procurar. Eu discordo. Acredito que estamos vivendo uma geração amorosa peculiar, em que sair por baixo é feio. As mulheres lutam contra o machismo e ainda querem que o homem sempre tome uma atitude. O homem não entende bem dessa forma. A verdade é que os tais sortudos fazem pouco caso. É bem assim, não supervalorizam nada, deixam rolar, sem ansiedade. Aqueles ditos com sorte não ficam medindo atitudes aqui e ali, e não ficam preocupados com o alface no dente do primeiro encontro. Aliás, eles podem ir no primeiro encontro de all star e esmalte descascado, porque não faz a menor diferença. E daí? É o primeiro encontro, não o casamento. Esses tipos não fazem tipo, eles sabem que se não der certo o mundo não vai acabar. Geralmente, têm o mínimo de auto estima para sua preservação de modo que acreditam: estão no direito de experimentar, de selecionar e caso o par da vez seja errado, ele não é o último do mundo. Ah, e tem o pé na bunda. Se levar, vai morrer? Não. A notícia é que não está errado pensar assim. Vivemos a geração dos vinte e poucos anos, em que todo mundo aqui já foi desprezado alguma vez na vida. Caímos de cara com a pessoa errada, dizemos que amamos uma ou duas pessoas a vida inteira, temos sete pés e meio atrás com qualquer experiência nova embora, no fundo, todo mundo guarde a esperança de achar o seu e ir para o altar um dia. De tanto se decepcionar, nosso orgulho, já inflado pelas tantas conquistas que temos ou que eventualmente nossos pais conseguiram pela gente (ou fizeram a geração Y acreditar que mereciam), bate alto. Bem alto. Ele fala que já chega, que feio todo mundo pensar que você está sozinho, ou tomou um fora, ou está na bad por um mal amor. Ele te faz pensar que você vai se sair melhor quando fizer sofrer, e não ser o sofredor. Pior, as pessoas tem que acreditar que você saiu por cima, senão ele não se satisfaz. Seu medo de cair de cara e sofrer de novo é tão grande, que você olha o mundo com maus olhos: cada qual do sexo oposto é candidato perfeito para te empurrar do precipício. Quer saber de dois segredos agora? O primeiro é que o precipício foi você quem criou. O segundo é que todo o resto está na mesma. E portanto, ninguém vai se aproximar de ninguém genuinamente. A galera não está a fim de bater um papo e tomar uma cerveja. As meninas vão acreditar que são apenas segunda intenção. Os caras nunca vão achar alguém suficiente para se esforçar. Todo mundo na fé de que ninguém presta. E eu te pergunto, você presta? Ou você, geração Y, ainda está nessa birrinha com a vida de desafiar o mundo e gritar aos quatro ventos “eu sou um heart breaker e quero ver alguém que preste aparecer!”? Já te adianto que eu também sei que no escurinho da sua cama você chora e cruza os dedos para a vida te dar uma boa pessoa de presente. Uma boa pessoa que descomplique, que te dê calma e paz de espírito, porque você cansou de tanta turbulência. Mas não, ela não vai dar. Você vai continuar fingindo que não está procurando, na esperança de encontrar a pessoa certa, e não, você não vai achar. A gente não gosta do descomplicado, a gente quer o desafio. Não dá para descomplicar quando o nó está na gente. Então comece desfazendo esse laço aí de dentro. Uma amiga minha fala que não tem a menor vergonha de tomar um pé na bunda e de falar que tomou. E ela está certa, não há vergonha nisso quando você se valoriza. Descomplique. Descontraí. Vá se divertir, e não á caça. Vá jantar, e pode comer uma coxinha bem gordurosa com alho na balada, que se for o seu dia, vai ser. Tenha segurança em você, selecione, o babaca ao lado não é o último cara que você vai conhecer na vida. E se ele parece um chato, ele é um chato, não pense que vai transformar ninguém. Porque a vida não dá presentes para heart breakers envergonhados de si e de suas desilusões amorosas. Sobre essas desilusões, elas te ajudam a crescer e te fazem ganhar experiencia. São as lágrimas que empurram sua maré para onde ela está agora, então aproveite e vá na onda. Cresça, e dê o laço no lugar certo. Vá por você, não pelos outros. Procure, mas saiba bem o que está procurando, e não se deixe levar por menos. Menos não é o que você merece. Você merece mais, não da vida ou do destino, mas de si mesmo. Deixe esse orgulho de lado, abra um vinho e brinde comigo. Brindemos ao pé na bunda, aos foras do passado, às pessoas erradas, e aos acertos que virão. Mas principalmente brindemos a mim, a você, a nós. Não ocupe seu coração com o que quebra, e sim com o que o deixe maior. E se quebrar, eventualmente, não é o fim do mundo. Coração se cola, caco por caco, e não demora muito para achar o superbonder certo. 

 

 

* Foto por Malu Lima em Estocolmo, Suécia

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