A incrível geração de mulheres que continuam discutindo os homens

Acho que toda vez que abro o facebook encontro alguém compartilhando uma intertextualidade do Escrito da Ruth Manus no Estadão. Quando uma amiga me mandou o texto, me identifiquei com algumas partes e outras nem tanto. Não acredito em extremos. A gente trabalha, faz nossa parte e também faz o que gosta e o que não gosta. Os workaholics extravasam em algum lugar, ainda que seja entre quatro paredes ou entre mil papéis. Eu gosto de cozinhar mas também já explodi um microondas, já tive momentos de segurança e de me sentir no topo do mundo e também já dei olá ao fundo do poço, já estive feliz ao lado de certos homens e já chorei por alguém, já trabalhei muito e já faltei muitas aulas, fui levada a sério, fui piada, conheci homens sinceros e dissimulados, e, por fim, não acredito que textos genéricos em um jornal de grande circulação são feitos para agradar a todos. Obviamente, como toda contrapartida, as opiniões se dividem e são discutidas. As mulheres da nossa geração são sim criadas para o mundo, concordo com a Ruth. Mas ainda existem as que não são. Existem os homens que se intimidam, e têm aqueles que não. Como sempre estiveram ali, paradigmas permanecem, bem como o sim, tanto quanto o não. Mas se tratando de mulher tentando interpretar cabeça de homem o assunto teve que virar auto afirmação em tom agressivo. Eu li chatas, li mal amadas, encalhadas, daí para baixo. O que eu posso dizer? Amigas maravilhosas se identificaram com a crônica da Ruth. E tenho certeza que elas não são nem um pouco chatas ou mal amadas. Outras se identificaram com um milhão de outras formas intertextuais em cima disso. O fato é que toda resposta perde a força ao ser agressiva. Para mim, mais danoso do que se valorizar se dizendo uma geração de supermulheres é se auto afirmar em cima da crítica ao outro. Você é realmente melhor por ter um homem? Você se sente superior por ter uma auto estima embasada em outros padrões? Por nunca ter ficado deprimida, nunca ter lamentado uma perda ou por pregar que devido às suas atitudes fantásticas e seguras de si você tem alguém do seu lado?
Um amigo meu veio discutir o texto do Estadão comigo. Ele estava inconformado. Eu expliquei: você está inconformado por ser a exceção. Por ser um cara criativo e de bem com a vida, por ser seguro de si e não se intimidar com o sucesso de ninguém e por viver verdadeiramente seu eu, seus sentimentos e emoções. Óbvio que aquele texto causa certa dificuldade quando generaliza homens e mulheres de nossa geração. O que eu quero esclarecer aqui é que todos os textos generalizaram. Todos se trataram de mulheres se auto afirmando para se defender de homens, de opiniões, julgamentos, da sociedade e de outras mulheres. E para quê? Para continuar entendendo a cabeça deles.
Então mulheres, deixe-me defender nossos amigos homens. Na hora de falar que homem não presta, lembra do seu melhor amigo, do seu pai, do seu irmão. Lembre que nesse meio existem os que não prestam, mas sempre sobra aquele pelo qual você colocaria a mão no fogo. Então, você vai me dizer que o tipo é raro. Pode até ser, mas dentro desse subtipo raro e diferenciado, existem milhões, e um deles encaixa em você. E se não for agora, vai ser em algum dia. Não é recalque tentar entender a cabeça dos homens em relação às mulheres, não que um dia alguém vá entender isso. Recalque é julgar outra mulher por ser assim ou assado. É reafirmar a fama feminina de criticar e espalhar o mal amor ao mundo, querendo despertar inveja. É arranjar briga e discussão por causa de um homem hipotético assumido como uma geração inteira, que na verdade nem existe. Antes de entender o homem ao lado, entenda o seu. Se ainda não tiver um, entenda você. Se quiser se iludir na tentativa de entender ou julgar uma geração, lembre que generalizações perdem força argumentativa. Analise a sua auto estima, trabalhe em cima das suas verdades, se conheça e saiba o que você quer. Para o sim ou para o não, as coisas vão acontecer exatamente como você fizer valer, tendo por base seu passado, o que você quer para seu futuro e como você encara sua vida hoje. Se sinta bem sendo e fazendo o que você quiser, não dependa de um homem para te aprovar ou para cozinhar para você. Não ache que por ter um pode gritar aos quatro ventos o que quiser. E por último, saiba que cada vida é vida, independentemente do modo que cada um queira vivê-la, sendo supermulheres da incrível geração de mulheres que os homens não querem, da super geração de mulheres que se autoafirmam se bastam até o próximo problema ou de qualquer geração normal que você tenha parado, com suas infinitas particularidades que não cabem ser discutidas e nem agredidas pela amiguinha ao lado.

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