Asas

Dia desses me colocaram em uma vírgula da vida a hipótese: ter asas. Dada a tal, perguntaram, e aí, o que você faria se as tivesse? Pergunta um tanto boba, né? Parece coisa de criança discutir o que você faria se pudesse voar, se tivesse um par de asas. Bom, surpreendentemente, ao começar a pensar, não tinha ideia do que faria primeiro. Dissertei bastante. Eloquentemente. Iria primeiro a Londres. Depois tomar café em algum dos milhares de cafés que eu quero conhecer na vida. Visitaria todos de quem sinto saudade, sobrevoaria a cabeça dos outros e escutaria conversas constrangedoras, iria para o topo de uma montanha ficar sozinha e sem celular, e ficaria tirando onda com o mar. Viajaria, viajaria, viajaria, e, nem sei por onde começar! Tive um micro AVC. Fiquei travada, irresponsiva. Não fazia ideia do que queria fazer primeiro. Ele logo notou e respondeu: não sabe do que? Eu disse, não sei o que faria. Se o que? Se pudesse voar. Mas não foi isso o que eu perguntei. Foi sim! Perguntei se você tivesse asas. Então, mas se eu tivesse asas eu poderia voar. Pois bem, o que você faria primeiro era simples, a resposta é simples: voaria.
Surpresa, depreendi duas coisas das quais não tinha me dado conta. A primeira é que se você tem asas, é sua opção voar. Elas não batem sozinhas, nunca baterão. Quem escolhe voar é você, a escolha é sua, faça por você. Dois, tenha ao seu lado pessoas que te estimulem a usar suas asas da melhor forma possível. Escolha aqueles que te deem a mão e te puxem para cima, elevem suas expectativas e te ajudem a superar seus próprios limites, suas próprias barreiras.
Tudo aquilo que te faz ficar em casa, chorando, embaixo do edredom e esperando a vida acontecer é o mesmo aquilo que corta suas asas, pena por pena, te colocando para baixo. Então, não deixa. Nem espera. A vida está ali fora, acontecendo, enquanto você está esperando coisas e pessoas que não vão aparecer e que, se aparecerem, vem com a tesoura mais enferrujada do mundo. Ela corta, infecciona, atrofia e fibrosa suas asas. Não deixa. Acorda. E quando elas chegarem vai ser difícil de encarar, de engolir, de superar, de olhar, de não chorar e reagir? Então, o que você faria se tivesse asas?
Se fosse para te dar um conselho eu te diria: Voa.

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