Resposta


“Eu vou bem, obrigada por perguntar. Não vou perguntar como você está, porque disso eu já sei. Não, ninguém me contou, se era era a próxima pergunta. Mas já sei que você vai estar sempre assim, nessas quatro paredes de vida não merecedoras de minhas metáforas ou quaisquer metáforas. Sei que você não entende o que eu escrevo, meu bem, e que nunca fez muita força para entender. Mas estou bem sim. Não me importa mais você continuar na triste mesmice dos amores fechados, porque hoje estou feliz. Estou feliz por ter descoberto quem eu não sou, o que é exatamente quem eu fui todo tempo que estive o seu lado. Isso me fazia tão mal, lembra? Hoje fico feliz, já que descobri boa parte de mim tendo consciência do que eu não sou e de que não preciso explicar para ninguém sobre mim. Tenho que simplesmente ser. Não preciso me envergonhar também. Estou feliz porque me deu uma preguicinha grande de te escrever essa resposta, não queria escrever, não…mas minha inspiração sempre foi maior que meus anseios, e acho que isso não é bem por você e sim por mim. Eu sou uma pessoa educada.
Estou feliz por não sentir saudades de falar qualquer coisa vazia com você, não nos últimos tempos. Acho que as coisas mudaram, mesmo, não é? Ou não, talvez eu só tenha voltado a ser a mesma, que não era ao seu lado. Por fim, estou feliz ao descobrir que nunca estivemos juntos e que fico feliz por não ter sido uma perda para nenhum dos lados, já que ninguém perde o que nunca teve. Fico feliz por você ter sido medíocre e ter se perdido dentro dessa sua própria falta de esforço, e mais feliz ainda por não ter me levado junto, já que você me perdeu no meio do caminho. Somos tão diferentes, eu faço, você está parado, eu gosto de andar e apreciar, você corre olhando o que te interessa, eu olho para almas e você para pessoas, eu rezo e você pede, eu me esforço e você reclama, eu desisti do meu orgulho em nome de amor próprio e você o leva como mantra, eu assumo a culpa e você culpa, vejo flores e você asfalto, eu odeio jogo e você joga para inverter um jogo que você jogou sozinho. E perdeu sozinho. Estou feliz por conseguir falar isso sem medo de ter sofrido, porque foi assumindo a possibilidade de sofrer é que eu descobri que não tinha porquê eu sofrer. Que da vida tem muito mais em frente e que minha vida, ao contrário da sua, é flexível e muda o tempo todo. Isso não é ruim, só faz de mim uma pessoa mais criativa, mas não te torna pior, não se preocupe. Queria hoje eu poder me afundar em um lençol e chorar o amargo que você deixou, mas você não deixou amargo, você foi e deixou para mim um presente. Na verdade você devolveu o que pegou emprestado: eu. E ainda bem que ainda estava por todo vida, que a ânsia de viver é meu poço que não esgota e minha galinha dos ovos de ouro. Queria poder dizer que levei mágoa, mas nem isso. Levei preguiça de lidar com pessoas como você, e com você.
De resto, te desejo, como sempre, toda felicidade do mundo, mas a esse ponto sei que você já parou de ler. Tal como qualquer xícara vazia, que não pára em pé, não merece metalinguagem, muito menos metáforas. Se gabe então por ter merecido essas palavras.”

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