Tempestade

frida

Maria Adelaide Amaral disse sobre o relacionamento de Frida Kahlo e Diego Rivera: “tempestade”. Não sei vocês, mas eu de certo modo invejo o humor tempestivo desse amor. Ambos tinham personalidade forte, bem sabido, embora em diferentes sentidos. Não vejo nada melhor que um amor tempestade. Amor morno não aquece, não esfria, não sacode. O que não é tempestade é chuvinha, não faz sentir. Enquanto chuvisca lá fora, tudo que se quer é cobertor e sono. É calmo demais, é sozinho demais, é curtir uma descoberta própria, exclusiva e interna. O amor morno é um tanto egoísta, se leva de mão dadas, supre aquela felicidade à qual se chega, não exatamente a que se almeja. Amor morno todo mundo acha lindo, todo mundo quer paz depois da desilusão. É amor amigo. Ele é um amor seguro, monótono, tedioso, mas como todo amor, é válido.
Já o Amor tempestade é aquele em que se deseja ficar em casa, com cobertor, pipoca doce, filme e alguém do lado. Aquele, justamente aquele. É amor que briga, fecha a porta dizendo adeus, vai para o bar, toma um porre e volta arrependido. Não é amor fácil, é amor de quem tem peito e personalidade. Mas também não é amor fraco, é difícil de tirar de dentro. Do amor tempestade não se tem controle de nenhuma parte, mas ele sempre volta. A gente acha que ele atormenta, mas você sempre gosta de como ele sacode: o coração, a vida, os passos dados juntos, mesmo que sejam passos inseguros e esporádicos. Amor tempestade solta raio, trovão, faz seu coração galopar só de chegar perto. Ele não te puxa pela mão, e sim pelo abraço. Ele não poupa gritos, em nenhum sentido, ele é vivido em dois e por dois. Ele é expansivo, e libertário: vai, mas volta. Erra, mas ama. Você nunca sabe o que vem a seguir, e é o que passa a dar certo sentido àquela felicidade que não se sabe bem como chegou, mas está ali, está aí. Amor que todo mundo acha inconveniente, mas não tem conveniência maior. É amor primeiro amigo, mas depois amante. Amor tempestade não importa se tem vinho, fanta uva, água com gás ou o que for na geladeira. Ele te faz, te completa, e no fim do dia pode-se morrer em paz.
Eu invejo Frida e Rivera porque, apesar de amar um chuvisco, nada me realiza mais do que me molhar na tempestade. Mas é inveja boa, tá?

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