Entre a imitação e o Agnóstico

JOGOIMIT

Fui ontem assistir ao múltiplo indicado ao Oscar “O jogo da Imitação”. Dentre o roteiro sedutor, 2ª Guerra, Criptografia, Aliados, e uma super máquina alemã de transmissão de dados criptografados, o protagonista se destaca por sua personalidade peculiar, como a de todo gênio que se preste, e sua genialidade em desenvolver uma máquina tão ou mais capaz que a alemã. A essência dessa história baseada em fatos reais é maravilhosa, mas um ponto em especifico me chamou a atenção.
Alan Turing, em um dado momento, é tido como pacifista universitário, tendo sua capacidade de lidar com a Guerra subestimada, apesar de ser o melhor matemático da época. A essa insinuação respondeu: Não era contra a violência, era um Agnóstico da violência. De fato, constatação brilhante. Em certo ponto do filme, Turing é obrigado a esconder as informações que duramente conseguiu interceptar do exército alemão para que esse não suspeitasse de que as tinha e mudassem os códigos de criptografia. Essa atitude levaria ao afundamento de um navio de carga da Inglaterra e, consequentemente, a morte de muitas pessoas. Sua decisão, porém, foi esconder o fato de que as tropas alemãs iriam se aproximar e, assim, impedir a defesa Inglesa. A justificativa foi que a morte daquelas pessoas era necessária para vencer a guerra e salvar tantas outras vidas a mais.
Decisão difícil, não? Tipo de decisões que tomamos todos os dias, não da mesma magnitude mas nas pequenas coisas. Hoje percebo que não sou contra mentirosos, sou agnóstica da mentira. Quem nunca contou a tal mentira do bem? Quem não tentou poupar o outro? Não sou contra o ódio, sou agnóstica a ele. O ódio às vezes cresce para nos proteger. Não sou contra a trapaça, sou agnóstica a ela. Trapaça às vezes salva vidas. Não sou contra paixões vazias, amizades superficiais e sorrisos falsos. Sou agnóstica a isso tudo. Por mais vazias que sejam, preenchem em dado momento qualquer espaço provisório e paliativo, que estava realmente precisando daquilo.
Não sou contra esmolas, não sou contra discussões, brigas, refrigerante, drogas, manifestações violentas, vidas vazias, espaços em branco e canetas sem tinta.
Bom, não é segredo para ninguém que a Inglaterra ganhou a guerra. Turing se tornou uma das maiores mentes de guerra da história. E eu? Descobri dentro de mim uma agnóstica nata.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s