Arquivo do mês: março 2015

Metaponto

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De qualquer amor breve
te mando um beijo
abreviado ou
de dois parágrafos

De qualquer amor breve
te mando abraço
brigadeiro de panela
qualquer momento feliz

De qualquer momento feliz
te mando um aperto de mão
finjo que não ligo
Seguro toda lágrima vã

De qualquer lágrima
que enxugo
Uso as páginas de
qualquer livro usado
que leio
Escrevo uma história nova
que vivo
que vejo
que sinto
Amo

Mas de tão breve foi
que tanta saudade deixou
Perpetuou
e a vida me deu estrofes

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Estrofe de uma vida

168367_hildebrandt_de-chirico

Sentou na calçada, tirou o fumo
De braço dado
tinha
o mundo ao lado
De braço junto
a calçada era amarela, branca
o asfalto era preto
preto
grão de café
De braço em braço
a teve
quase sempre
de abraço
a perdeu
de repente
De abraço
se apossou
das quaisquer obras defeituosas
de braço
se desfez
de abraços e dramas mal feitos
de oxímoros
farto
se colocou
para dentro
se jogou
para fora
engoliu
as palavras, e
de abraço, com abraço
se perdeu
imensamente dentro de si
Em um abrir de asas explosivo
vomitou
O alvoroço estava armado

Vomitou o quê?
Ele

* Quadro de Giorgio de Chirico

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