Tem quem não volte

A vida fechara seus olhos. Ela já não ligava de andar na escuridão, e nem sabia como andar se assim não fosse. E de repente, se tirassem suas vendas, fechariam seu coração? E então, a vida tirou as vendas, e surgiu um mundo feio e doente. De tão feio e doente, ela parou ali na sarjeta, sentou e fechou todas as portinhas. Se fechou em si, apertada, até sumir. Fechou o coração e fechou tudo. Não poderia, afinal, culpar a vida. Não queria se culpar. Se esfarelou, culpou seus farelos e colocou as palavras para dentro, enquanto esperava o tempo, que não chegava para a poeira. De posses, só tinha o coração, espalhado pelo asfalto. Mas ele estava ali. Ela ainda o tinha, e talvez fosse um trecho de qualquer esperança que esqueceram por ai, em migalhas, de um filme mudo à toa.

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