Deixo você ir

Está feito. Te pisaram, te colocaram em uma alga e enrolaram igual temaki. Você chorou, esperneou, bebeu pelo menos duas garrafas de vinho ao som de Alanis e James Blunt por fim de semana, e seus amigos não conseguem mais ouvir sobre sua dor. Então você resolveu correr sete quilômetros toda vez que ela batesse, e isso não te fez emagrecer. Não mais do que você já tinha emagrecido, porque só chorava, você já tinha passado dessa fase. Já estava sobrevivendo ciclicamente de migalhas e se entupindo de uma ansiedade vazia e de comida confortável. O ciclo se mantém: términos e conversas sem fim. É difícil deixar alguém ir, não é? Tem horas que você decide colocar a poeira toda para baixo da cama, desiste de falar, bloqueia em todas as redes sociais, porque agora tem dessa também. Um toque e você acessa o que quiser. Mas quem disse que sempre tem resposta? Ou que o assunto vem naquela hora em que você sabe, é a hora do tédio? E o assunto, ele te alimenta. Ele te faz acreditar que nem tudo está perdido.
A cada pisada você tem consciência de que precisa parar com tudo isso. Que já não é saúde, que já não tem idade. Todos te falam que o único capaz de acabar com esse filme de drama romântico mal sucedido é você, e depois de ouvir pela milésima vez a sua vontade é gritar: EU SEI.
E eu sei que você sabe. Mas você não deixa isso pelo orgulho, por depois de tantas lágrimas você ver a batalha perdida, por não se perdoar de ter feito tão mal a si mesmo. E aí você continua na busca do seu final feliz, para provar para todos e principalmente para si mesmo que sua aposta não foi errada. Que o sangue que caiu valeu a pena, que no final tudo deu certo. É nisso que te fizeram acreditar: em um orgulho verdadeiro, que magoa mais que qualquer outra coisa, e que até um final feliz (o qual não existe), é infindável. Você não pode dar às costas aos seus sentimentos, e sim ir de encontro a eles.
Você está magoado, pisado, enrolado. Você se rastejou e deu tudo de si, e tenta esconder de todo mundo o quanto realmente se sente machucado e humilhado. Você permitiu que fizessem isso com você sim, mas é plausível, uma vez na vida todo mundo passa por isso.
Então, pára. Olha para dentro, deixe os conselhos de fora. Olhe para você, se perdoa. Não faz mal, não é feio sofrer de amor. Pare de gritar aos sete ventos, se perdoa. Se perdoa por ainda amar a pessoa que acabou com seus últimos dias, meses, anos. Se perdoa por ouvir seu coração capotar quando vê, quando encontra, fala. Se perdoa por ter mandado os oitocentos e trinta e quatro últimos “ois”. Pelas crises de ciumes e por todas as vezes que se permitiu sair de você e abdicar do que você é por essa coisa que te consome. Se perdoa e assume para si mesmo, não tem jeito e nem para onde correr. Você ama. Mas amor também pode ter começo, meio e fim. Início, vida e lembrança, é a história natural das coisas. Você não pode deixar as coisas irem embora de você com mágoa, ódio e lágrimas, porque essas coisas marcam na alma, então, deixe ir com espontaneidade. Deixe-as ir com o amor que a elas foi atribuído. Deixe-as ir naturalmente, e sorrindo. Ela se vão, não sem causar dor. Mas elas vão te deixando de presente a paz. Então, meu amigo, desiste. Mas desiste e vai ser feliz.

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2 Comentários

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2 Respostas para “Deixo você ir

  1. Conceição

    Amei Malu, estou orgulhosa de vc. Muita Luz em seu caminho Abraços
    Conceição

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