Uma mãozinha

Estava em uma mesa jantando com meus amigos, até que dessas conversas paralelas que surgem em uma mesa eu ouvi um deles dizer “Não, ele não gosta de você, quem gosta não faz isso.” Fiz um silêncio velado, não é fácil ouvir isso. Mas pelo visto, era um mal necessário. Então, antes que alguém precise passar pelo constrangimento de te falar isso, me deixe adiantar: quem gosta, não faz isso.
Quem gosta não te faz a última das prioridades, não te deixa aflito, não gera angústia. Quem gosta não aguenta joguinhos tolos, quem gosta quer viver de verdade, quer um carro e cinco mil quilômetros pela frente, um parque de diversões e três reais no bolso, desde que do seu lado. Quem gosta não se importa quando o jantar vira cinema, quando a festa não rola porque você desanimou ou se seus amigos são infantis. Quem gosta vai, mas vai junto. Também vai separado, mas não desperta sua insegurança propositalmente.
Quando se gosta, o negócio não cabe dentro, é necessário colocar para fora de alguma forma, e então vai lá, o Benedito, cuidando, aparando, prestando atenção, olhando, checando, beijinho no rosto e puxão de nariz. Quem gosta não se apega a você apenas enquanto você esnoba, nem espana. Você pode rezar cinco terços para se livrar de tanto amor, mas não adianta, não há jogo que faça passar.
Quem gosta não te faz esperar a ligação, nem o amanhã, muito menos a hora certa para falar que ama, que sente saudades, que a falta é grande e a vida não é igual sem você. Quando a gente gosta, anseia por tudo que é destino junto. Quem gosta pensa dali um mês e na surpresa do ano que vem, não fica te enrolando para aquela saída com os amigos, quer te apresentar para o mundo. Quem gosta não vê na briga a chance de ir para o bar, só quer que a briga acabe logo e quebre qualquer rotina.
Tenha em mente, as pessoas que vivem na dúvida e nos escombros de suas próprias entranhas são aquelas que não fazem ideia de quem são e por isso, não gostam: de você, do outro, delas. Elas não aprenderam a gostar ainda. Outras não estão na vibe, não estão no momento. Tem aquelas cuja disponibilidade é tão alta que são incapazes de enxergar o que é de verdade. Então, deixa elas, deixe o mundo passar, e passe você também.
Não, ela não gosta de você. Ele não estava ocupado quando leu sua mensagem, só não queria responder. Não, ele não estava dormindo, estava com a namorada número cinco no restaurante número três. Ele não está com ela por conveniência, e não, no fundo ele não gosta de você apesar de estar com ela, porque se gostasse estaria com você. Ela diz que precisa de você, mas precisa mesmo é da massagem de ego que você se tornou na vida dela quando ela conta rindo para as amigas dos horrores que te faz sofrer. E você sabe disso tudo.
Só fazem com a gente o que nós deixamos que façam. Antes que a vida te mostre, assuma as verdades que tem para si já há tempos, pare de mentir para dentro. Ao invés disso, se coloque para fora e para frente, encare: quem gosta não faz isso. Então, não seja desses que fazem isso consigo. Dê um tapinha no seu ombro e ande, que a vida vem passando, antes só do que duas vezes só.

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1 comentário

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Uma resposta para “Uma mãozinha

  1. Priscila Simplicio

    Perfeito!!!

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