Retalhos

Marionetes:

Imagem: Reprodução

Sob a luz da noite mais iluminada, eis que se desprende das suas origens mal acabadas. Pode-se perceber o traço dos olhos ocos e o contorno de quem já não exerce o dom de ver.  A luz da lua desprende a retina colorida, cores e vidas embutidas e presas numa bola sem fim. A liberdade ali, está oprimida numa dimensão desconhecida. Estar entre paredes já não faz mais sentido, eis que elas estão se aproximando e o medo está dominando cada desejo de alforria. O verniz já não é verniz, é o sangue que cobre o meu ser. A liberdade já não é a mesma, é o apocalipse que deseja me ver. As correntes batem em minha porta, o grito de guerra que tanto me encomoda, o som de ramificações que me enraizam. Tudo isso me faz levar adiante, mas estar cega não me deixa percepção. O sentido está na mente, mas não funciona meu subconsciente. A música de fundo é uma caixinha de músicas sem fim, um áudio inatingível, um movimento na eternidade, uma elevação sem superior. Mas o amibiente me rebaixa por não poder ver o que vem depois, e isso corrói toda a madeira, começando pelo centro, pois já cansei do superficial. Quando tento me desprender o mais profundo corte hemorrage no meu ser… E esse sistema me segura pela mão, e cai a luva, e caem os dedos, e cai toda porta que poderia me trazer qualquer resposta. E se ao som da música me ensinam que viver faz bem, peço que me deixem a vida como herança pois o limite do atingível é o sobreviver. Sinto a energia da direita, e da esquerda, os movimentos leves e quando caio no chão, uma sintonia dentro de uma sinestesia, sinto todos os sentidos, a música, a fala, o ser, o sentir, o tocar, o despertar. Quero ver a luz como quero, quero ouvir o som como espero, quero aprender a fala de coisas boas, mas o bom não me satisfaz porque já não sei o que é o bom. Ter um coração em mão é uma responsabilidade a mais. Me encolher sobre o chão, faz gelar minha única paz. Tentar viver, em vão, atrás do pano pode ser que haja solução. Mas não me tiram desse palco, alguém tem que fazer o meu show. Ando para frente e caio para trás, quebro os meus dentes, e esse sangue me faz alucinar. Pensar numa vida melhor é me colocar numa peça dramática, e meu viver não me deixa espaço para a dor. A dor do arrancar de cada fio de cabelo, é vivida no mais profundo silêncio, o trabalho tem que ser feito, o artesanato preenche cada falha e me deixa dura e gélida na mais profunda solidão. E para completar, desenham minha boca a se calar, e sinto o espetar das agulhas que querem me controlar. O subjetivo não me deixa mais opções a não ser o denotativo. Mas denotar não me permite mais do que ver o sapatinho cor-de-rosa, preso desde cedo a uma corda, que me impede de avançar, de prosseguir e de andar, que me remete a tempos antigos, que me promete fazer feliz, mas que denota o conotativo como reflexão do meu ser. Ser só uma marionete.

*Porque é assim, desde o começo. Homenagem que fez um dom vingar, primeiro texto meu que vingou. Dedicado a todos que me apoiaram desde o começo, e coincidentemente ou não, continuam a me apoiar.

Best,

Malu*

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