Arquivo do mês: abril 2012

Pierrot

Piruetas, piruetíssimas, vem cá, vem? Me dê sua mão e me gire de encontro com aquele marrom de vida. Gira, gira, gira, carrossel de porcelana, de arquitetura italiana. Olhe para mim, na ponta do pé, vê? Olha minha boca, é só um quarteto cor-de-rosa. Vê que o outro brilha? Em transparente e lúcido? Quer beijá-la? Beije não, que não deixo. Me envolva em seus braços, em abraço de pancake, em abraço branco. Quero tanto que dentro dele meu mundo fique todo colorido, sabe? Eu fujo. Eu fujo dele, fujo de você, fujo até de mim. Ô, mas salve, instante, salve! Venha dizer oi e mostrar sua disposição para com o mundo. Sua disposição de criar, de trabalhar, de sonhar, de realizar. Mostre essa sua disposição palhaça, em risos vermelhos, em sorrisos amarelados de criaturas ranzizas. Quero assistir, melodia, assista, a essa disposição cansada, estendida ao chão de margaridas. Deitemos e rolemos por entre as flores, agora. Agora! Agora venha, nesses ares prepotentes, e gira a manivela atrás de mim quando me ver cair. Me coloque em meus trajes mais lindos, com chacoalhos delicados nas pontas de meu chapéu. Quero o misturar de verde, vermelho, veludo, quero o despertar da plateia e dos malabares, quero o mundo para mim. Pra mim. Pramim. Prim. Prilim, labin, lábil demais. Débil demais. Por grande lágrima, caía, já! A meu mando o circo se faz, um circo interno consoante e consumível. Contudo, só me consome na loucura sã dos homens de bem. E quem diz de ser louco quando ser normal é tão bom? E quem diz de irônico quando ser louco é vida? E quem diz ser normal e viver alienado? Qual meu circo aliena? Ser você, jamais. Entendeu? Ser você, jamais. Então, esqueça. Venha me rodar nessa cantiga de roda, de falas, sem nexo, sentido. Venha por entre as palavras aleatórias e me levante. Coloque a música mais linda e ressonante e me deixe repousar entre dois instantes felizes que se seguem a uma chuva triste, a bailar, e bailar e bailar. 

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