Arquivo do mês: fevereiro 2013

Opções do à toa

De repente aquilo era evidente: era um começo sem fim. Já não existia, nem nunca existiu. Faltava o que, afinal? Haveria de ser perfeito. Caso existisse. Não existe. De repente a evidência se fez concreta. O tempo passou, o amigo se foi, do momento da chegada veio a despedida. Um dia na vida tomei uma decisão: não tiraria proveito da inconstância ou da insegurança. Não queria. Dentre elas e um buraco, ainda opto pelo buraco, embora nem sempre seja tão evitável. Prefiro aquela metamorfose da paz à dependência do outro. Ao fim, as experiências são todas pessoais. A saudade é toda egoísta. Feliz e egoísta. O pobre do outro sempre uma inconstância aos olhos alheios. Chegou uma hora em que eu aprendi a dizer que acabou. E então acabou. Se existisse. Mas não existe. Nunca chegou a existir. 

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Noite a fora

Estrela, estrela minha, vou me declarar. A ansiedade é que não cessava no Luar. Pois de trabalho pesado esse de iluminar, a única disposição que tinha era  sua musa a lhe ajudar. A estrela, inconformada, resolveu se colocar a explicar. Começaria, pois, a questionar. E por um acaso amizade aquela, mal interpretada, daria a calhar? Não Senhor, Luar. Sabe que meu amigo é e, portanto, não há de comigo se engraçar. Pois Estrela, falou Luar, minha vida está em te observar. Deixa de ser tonto, que beleza alheia não vai te sustentar. Coloque-se a trabalhar, Luar! Tem que brilhar para os casais da praça que estão a conversar e se coloque em seu lugar. Estrela estava brava, em sua fúria estagnada e pediu a nuvem mais próxima para encobrir aquele mar. Mar de choro que vinha levando ao mal os pobres casais que tinham paixões a zelar. E agora, porque choras, Estrela, se já é claro que não quer me namorar? Ela respondia a Luar para lhe deixar em paz, a necessidade sua era de focar. Mas tanto amor lá embaixo a fazia chorar, já que seu coração se punha a disparar. Pois disparava de quê? De comoção? Estrela disse que não. Que aquilo era paixão. Mas que fazia questão do expediente terminar. E quando tudo terminava, no momento em que o sol raiava, a Estrela blefava e se retirava. Luar não suportava a distância que se criava, e incrementava a oração decorada que se punha a declamar. Estrela, tantas horas sem ti me trarão ao fim do dia um grande motivo para sorrir. Estará segura pois dormindo ou acordado, de dia ou de noite serei fiel a em ti pensar. Minha pequena me dê a mão quando puder, na certeza de que sempre vou te amar. Estrela nem se deu ao trabalho de interpretar, deu de costas e disse que iria descansar. Pois a Lua traria seu filho em breve para o próximo turno de noite no qual Luar  iria brilhar. E lá estaria Estrela, preparada para um novo ciclo começar.

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E tão sério…

Se inspiraria, talvez, ao olhar por trás de um relógio. De um vitral de relógio. Espirraria, então, só para ter um alivio completo por ainda ter tempo. Muito tempo. Tinha tempo, tinha visão, tinha beleza e uma trilha sonora para a vida. Por sorte, ou não, enxergava logo a frente, ainda que por trás, o relógio da sua vida.  Era mais difícil de se interpretar. Ainda óbvio, contudo. E dali em diante não sabia se apossaria para si as decisões de seu destino, ou se as deixaria a mercê do acaso. O que seria mais satisfatório, no fundo, era de seu conhecimento. Trilha sonora da vida. Era tempo de não pensar. De fechar os olhos e não pensar. Uma trilha sonora da vida é tal como ver adiante o relógio de sua própria vida, pois: é raro, especial e bom, tido que estará ali com você, para o todo e sempre. De negativo, porém, deixe eu falar, que vem junto aos bons e aos maus, com momentos felizes e não felizes, e até mesmo com horas tristes. E sua trilha sonora bem lembrará todos eles, te ferindo constantemente, por lembranças ou por saudade. Ainda assim parte dela estará feliz por você estar vivo. Você estará vivo, e tendo ela, estará vivendo na certeza: lembrará. Lembrará de ter e terá consciência: vivo.

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