Arquivo do mês: outubro 2014

Entre lugares e abraços

Qual é o seu lugar? Aquele ao qual você sempre pertenceu. Não importa o tempo que passa longe, é só pisar ali e você sabe que é seu, te inspira, te faz sentir e te faz viver. Vive-se melhor, respira-se melhor, não importa o quanto esteja poluído o ar. Decide-se melhor, lembra-se mais, produz mais, sente mais. Você é você, não há explicação. Podem te oferecer o melhor lugar do mundo, e você só quer o seu, naquele universo próprio em que você engole cada trecho de calçada e se apodera como ninguém da mixofilia. É simplesmente seu, naquele momento.
Qual é o seu abraço? Aquele ao qual você sempre pertenceu. Não importa o tempo que passa longe, é só estar ali e você sabe, é seu. Te inspira, te faz sentir, viver. Vive-se melhor ali, respira-se melhor, e chora-se melhor. Decide-se melhor, lembra-se mais, sente mais. De você eu me lembro mais. Você é você, não há explicação. Podem te oferecer qualquer outro abraço, e não há igual, você só quer aquele seu, naquele universo próprio em que você engole cada trecho de si e se apodera como ninguém do outro. É simplesmente seu, naquele momento.
Qual é o seu amor? Todo seu. E qualquer semelhança pode ser ou não uma coincidência. Tenha em mente que livres associações podem contemplar lugares e abraços, plenamente. É tudo o que não muda, o atemporal. Nada disso passa.

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O pedaço que morre

Este é para você que está com aquela vozinha interna te dizendo que algo não vai bem. Aquela vontade de chorar sem o menor nexo. Não está tudo em ordem? Sim. As coisas não estão perfeitas? Aparentemente, sim. As pessoas não vem motivo para você chorar. Ninguém entende o seu mal humor. Seu melhor amigo te pergunta o que há de errado, e nada. Até que você se afoga com as palavras não ditas e, por vezes, extravasa em um mar de lágrimas. Você não tem a menor ideia do porquê está assim. Se eu fosse o seu melhor amigo te diria que está mentindo, já que no fundo você sabe. Você entende que tem algo de errado, em algum lugar de você. Alguma coisa não vai bem, alguma parte sua se rebelou, está fora do lugar e não se encaixa mais. Então, meu amigo, é hora de encarar: vista-se de preto, vá ao velório e viva seu luto. A má notícia é que uma parte de você morreu. Agora você precisa ir da negação a aceitação antes que outras partes se percam no caminho. Nega? Sim, ele foi embora, machucou. Aquelas lembranças são boas mesmo, mas você tentou de tudo, meu bem. Essa amizade não funcionava mais. Raiva? Se permita se assolar na sua cama e morder seu travesseiro. Negociação? Não tem escambo, todo mundo morre um dia. Depressão? Chore até a vontade passar ou até morrer afogado nas próprias lágrimas. Morreu? Então ressuscite e aceite. Aceite que as vezes, sem motivo, pessoas nos deixam e levam parte de nós. Pior, matam partes de nós. As lembranças são boas, o sorvete, o parque, as mãos, os conselhos e os sorrisos. Elas ficam incrustadas na alma fazendo nascer novos fragmentos. Não as abandone, incorpore quem você foi lá aqui: leve a felicidade com você e seja feliz onde quer que for. Outras vezes, ainda, certas partes ficam tortas e espetam o tempo todo.
É essa a parte mais difícil. Prepare-se e vista-se de preto, é hora do suícidio. Porque quando nos matam, a dor é passiva. A dor ativa é muito pior, mas quase sempre muito mais necessária. Arranque de você o que te faz mal e o que não tem solução. Tire dali aqueles vasos que nutrem os pedaços de daninha. Aprenda que as mortes que vivemos durante a vida só nos renovam e nos preparam para as próximas experiências. Não tem nada mais bonito que morrer e continuar a viver. Então, Tire de você os tecidos necróticos. Vai doer muito, mas depois da dor anseie por vida nova, e mova-se naquele sentido de sempre: é para frente que se vai.

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Aquele amor ubíquo

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Quem faz parte da minha rotina já conhece meus rituais diários de acordar mais cedo só para comer o pão na chapa e o expresso da padaria. Meu dia não começa sem café, já sabemos disso. Gosto de fazer meu ritual com calma, mas há sempre aqueles dias em que a função soneca do celular foi adiada 5 vezes e meia, e nessas ocasiões sou obrigada a correr. Foi numa dessas que após comer e beber cheguei ao caixa com meu velho e bom cartão problemático. As pessoas tem dificuldade em compreender que apesar de constar senha bloqueada, a dita senha não está bloqueada coisa nenhuma. Aguarda-se uns momentos e você digita a senha, fica tudo bem. Mas é aquela coisa, a maioria vem com um “sua senha está bloqueada”, ao que eu tenho que correr em explicar “não tire o cartão, vai funcionar”, blablabla, de modo que isso é tão ritual quanto minha ida a padaria. Naquele dia a funcionária abriu a boca para falar e eu já adiantei “não está bloqueada, ele vai funcionar”. Ela me encarou e disse “eu sei, mas a máquina saiu fora do ar e eu estou reiniciando”.
Não devia, mas por um minuto fiquei atônita. Se eu sabia muito bem do meu cartão, ela também sabia da máquina dela. Me senti um pouco envergonhada. Assim como sei de mim e não gosto que os outros se metam nisso, ela sabe dela, do trabalho dela e da máquina dela. E eu me meti. Abaixei a cabeça, agradeci e esperei calada. Se todos soubessem de todos, acho que o mundo seria sem graça. E é por isso que quando alguém está aprendendo sobre a gente, nós viramos ao avesso e confundimos tudo. As vezes somos tão irreconhecíveis, apesar de sermos os mesmos. Dentro da gente nos perdemos em cada buraco, esquecemos de tanta parte, que eu acho que nossa maior missão aqui é nos reconstruirmos em nós mesmos todos os dias. Nos lembrarmos quem somos e porquê somos, qual é a da nossa vida, porquê estamos acordados e escolhemos viver ou então o que você está fazendo dormindo no teclado do computador. Nesse mundo de ódio e miséria disseminados, precisamos manter a luz acesa. Precisamos saber de nós e precisamos fazer desse amor (o nosso, que mora dentro da gente), um amor ubíquo. Leve amor para tudo que faz e não vai precisar de ninguém dando sentido para sua vida. Entenda: o sentido é você. A nossa luz precisa acender e todo dia deve estar acesa. Mesmo fraca, deixe acesa, para que possamos ver todos os becos escuros da alma.

Foto por Malu Lima em SJRP Brasil

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