Arquivo do mês: abril 2016

Agora é que são elas

 

amigas

 

Meus amigos homens que me perdoem, mas peço licença para um adendo que pode ser visto como três pontos e que, muito provavelmente, ainda contemple a vocês. Porque é incontestável, em um momento bem específico da vida, que são elas: as que te trazem um sorriso, um abraço, a bronca, um copo de água com açúcar, meio rivotril, colo, brigadeiro ou uma garrafa de vinho.
São elas que te passam o telefone daquela dermatologista top, o endereço da feira de orgânicos ou te matricula em algum cadastro de academia sem mais, nem menos. Elas sabem só de olhar, e entendem pelo silêncio. Vocês também se falam em silêncio, muitas vezes.
Amigas queridas, vividas, indispensáveis, e entendam como quiser. Não há outra pessoa no mundo que segura sua onda quando acabou o dinheiro para o táxi da volta, que te avisa sobre como seu rosto está cintilante porque você resolveu usar protetor solar à noite, que te abriga no sofá da sala por treze meses depois do seu divórcio ou que aparece com chocolate naquela TPM em que você já rezou para todos os santos ou orixás para passar, sem êxito.
Amiga para aquelas horas em que você surtou três vezes seguidas porque acha que não vai dar conta do TCC, do emprego, da faculdade, do plantão. Amiga para comer coxinha de domingo, para te fazer rir de comentários disléxicos ou te colocar a par da vida depois de passar três meses sem ligar a TV, e também amiga para comentar o último episódio de alguma série da Shonda Rhimes (bem como dividir a raiva contida após esse último tópico).
São elas que te deixam ciente dos seus momentos de retardo, que te carregam nas costas até o bar mais próximo naquela sexta feira em que você está morrendo depois de trabalhar doze horas, te obrigam a correr a São Silvestre na chuva enquanto ouvem atentamente (ou não) você contar a mesma história da briga com seu namorado, no fim de semana passado.
Amiga para não cansar de você, e que mesmo assim cansa, profere xingamentos, grita e bate a porta do seu carro como se no mundo não existissem geladeiras, e fica tudo bem. Aquela com quem você briga direto e reto, mas sabe que é para quem pode voltar, com quem já deu mil mancadas e de quem recebeu mil e uma de volta, mas as coisas não mudam.
Para brindar seu casamento ou o delas, escolher o carrinho do bebê, ir fazer a unha ou retocar a raiz, ser seu álibi quando ninguém mais entende ou pode entender o mundo em que você está. Esquecem de responder seu whatsapp, esquecem também o dia do seu aniversário, e ainda mandam um dane-se. Também te socorrem nos domingos de manhã e todos os outros dias da semana, e te perdoam pelos seus erros, até mesmo quando você é incapaz de se perdoar. Estão logo ali, até a última gota.
Agora é que são elas, que estão longe e não mudam nem um tantinho, que você não deixa de falar nenhum dia, ou que se passam anos sem trocar uma ideia, mas é a mesma coisa. São elas que sabem dos seus transtornos mais profundos, suas crises existenciais, dos seus parafusos a menos das suas nóias a mais. Também são aquelas que olham discretamente para o seu traseiro quando você está desesperada por acreditar cegamente que não está tudo bem naqueles dias, e depois fazem uma assertiva positiva com a cabeça no maior estilo “tá tudo bem, não foi dessa vez”. Sabem contar seus dramas familiares melhor que você. Elas te avisam quando não dá para te defender, amiga, sua louca.
Essas amigas de vida, de trabalho, de infância, de café, do clube, da academia, de família, da Igreja, do cursinho, da faculdade, de encontros. Nosso presente da vida para a vida. Amigas, amigas e amigas.

 

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